UMA HISTÓRIA REAL

ARTIGO ESPECIAL

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A CABECEIRA DA MESA

Conta-se que, certa feita, o patriarca da prestigiosa família Mellon dos Estados Unidos, havia sido convidado e aceitara visitar uma das universidades norte-americanas. Os Mellon, há décadas, têm interesses nas áreas da siderurgia, alimentos e, principalmente, produção de petróleo.
No dia marcado, recebido pela diretoria e alunos, percorreu as dependências da universidade e demorou-se particularmente na biblioteca. Mas, havia outra reunião numa sala especial. A entidade precisava fechar um ciclo de doações financeiras, a fim de promover modificações e ampliações no seu campus. Nos EUA, é bastante comum que famílias tradicionais, políticos influentes e financistas façam generosas doações à universidades e faculdades no país inteiro.
Cumpridas as formalidades de rotina, o ilustre visitante, talvez cansado das andanças pelos longos corredores, sentou-se à mesa na primeira cadeira vaga que encontrou. Instantes após, um dos professores organizadores do encontro cochichou algo nos ouvidos de um aluno. O rapaz, imbuído das melhor das intenções, não hesitou e, dirigindo-se ao milionário Mellon, convidou-o a sair de onde estava e ocupar a cabeceira da mesa. Ele abriu um largo sorriso para o rapaz e exclamou: – Não se preocupe, meu jovem. Em qualquer lugar que eu estiver será a cabeceira da mesa.
Naquele momento, é lógico que ele sabia de sua importância e das finalidades daquele encontro. Também tinha plena consciência que estava ali para fazer uma doação em dinheiro para a universidade. Ouviu pacientemente os discursos do reitor e dos professores, os aplausos quando entregou o cheque, posou para a foto de praxe, despediu-se e foi embora cuidar dos seus negócios. A universidade acabara de ganhar um novo microscópio eletrônico e anexos ao laboratório e à biblioteca.
Em Seul, Coréia, na quinta-feira passada, os presidentes, chefes de Estado e primeiros-ministros dos países mais ricos do mundo, posaram para a foto oficial do encontro. Acenos e sorrisos largos para a mídia e elegantes gravatas no lugar certo. Foi quando notou-se que, pela primeira vez em muitos anos, o convidado mais importante, o presidente dos EUA, não estava no centro da foto e ao lado do anfitrião coreano, mas à direita do grupo. Barack Obama é um negro de classe, diplomata elegante e discreto. Cumprimentou seus colegas presidentes, acenou de novo para a imprensa e saiu da sala a passos firmes.
Para não ir longe, no centro da foto oficial da cúpula do G-20, ficou o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. Sendo que ele e sua comitiva de ministros, saíram de Seul do mesmo jeito que chegaram, ou seja, sem conseguir emplacar um acordo cambial-financeiro, objetivando proteger a moeda brasileira.
O G-20 não avançou, nem recuou em suas recomendações aos países membros e aos chamados “Emergentes”, entre os quais o Brasil. Deixou para decidir alguma coisa mais consistente em 2011 ou 2012. Os EUA, há pouco mais de um mês, injetou US$ 600 bilhões em sua economia, a fim de fortalecer o dólar, dinamizar as exportações, recapitalizando bancos, financeiras e indústrias em geral naquele país. Os mercados e Bolsas de Valores do Planeta já começam a acusar os efeitos dessa medida.
No sábado, os jornais estampavam uma declaração de Obama, afirmando que nenhum país pode crescer à custa dos outros. O G-20 esvaziou-se, Lula da Silva – numa rápida comparação – fez o papel do aluno americano na foto. Porque vai demorar um pouco, antes que os países Emergentes entendam que, apesar de ter ficado no extremo da foto oficial, o presidente dos EUA, por motivos óbvios, estava na cabeceira da mesa.

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