Publicado por: bonfa | 25/09/2010

ARTIGO DE SÁBADO

Não raro, tenho vontade de assinar alguns artigos que leio. Esse é um deles. Uma síntese do que penso sobre o governo Lula, a política e os rumos desse país. Tomara que, lá adiante, quando passar o oba-oba irresponsável, patrocinado e estimulado pelos PTs. da vida, possamos, enfim, começar a construir de fato a grande nação dos nossos sonhos. Por enquanto, o cenário está nebuloso, incerto, ameaçador e sem futuro.

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Alerta contra a anestesia crítica

O manifesto em São Paulo tem o mérito de apontar falhas de uma República de polichinelo, às voltas com a euforia econômico-social

Carlos Guilherme Mota (*)
(Agência Estado – 25/09/10)

O Manifesto em Defesa da Democracia, lançado nessa semana com discreto alarde, surge tardiamente, em tempos de desencanto e ilusões nacionais perdidas. Mas quando nasceu o problema que os manifestantes denunciam, o do perigo de patrulhamento da imprensa, agora agravado com os arroubos presidenciais autoritários?

Perigos denunciados pelos manifestantes vêm de mais longe. Veja-se a censura ao estadão.com.br e ao Diário do Grande ABC. Mas na verdade, tudo começou no período pós-ditatorial, passada a animação das “lutas pelas liberdades democráticas”, toleradas aliás nos estritos limites do liberalismo precário da terra. Supondo que haja tempo, é de se esperar que os comentaristas políticos aprimorem a mira e lancem seus torpedos na direção certa.
Pois o alvo não é apenas o modelo político caduco em que Lula se compõe com Sarney, Collor e a escumalha do PMDB. É outro o alvo, para além dos tais índices de crescimento: o perigo de ainda maior esgarçamento do tecido da incipientíssima sociedade civil. Urge fazer notar que a população brasileira duplicou em 40 anos, mas a pobreza não diminuiu sob o pontificado de marqueteiros. E que a malaise social se aprofunda, empurrando a Nação para o charco do mundo peemedebista, que agora vai comer o eventual governo Dilma pelas bordas.
A contrapartida a esse manifesto é a preocupante iniciativa denominada “Contra o Golpismo e em Defesa da Democracia”, de Luís Nassif, contratado a bom preço pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), órgão oficial, que tenta mobilizar movimentos de apoio do mundo sindical atrelado à Presidência, com financiamento de muito discutíveis ONGs, blogs, etc.
Neste momento mais grave de nossa história desde 1984, a sociedade parece envolta numa bruma ideológico-religiosa-lulista em que se anestesiou o espírito crítico. Brasília foi tomada por “aloprados” e enlameada pela “lambança”, palavra muito veiculada em Fatos e Versões, da TV Globo, por Franklin Martins, quando atuava do outro lado do balcão. Lula, vale recordar, “extirpou” o conceito de “luta de classes” ao retirar do programa de seu partido ideia que tanto aborrecia a direita, pela qual, hoje, “a sua” esquerda é mobilizada, procurando rachar o País.

Vive-se nesta etapa histórica um desenvolvimento político-cultural precário, de falsa euforia econômico-social, e, como em Portugal, Espanha ou Grécia, a fatura chegará, passadas as eleições. Com o aplastamento da inteligência das lideranças da sociedade civil, ou do que resta dela, não chega o tal manifesto a impactar a Nação. Mas tem o mérito de levantar uma ponta da questão nacional, que é – uma vez mais – a impunidade, a falta de transparência, a precária independência dos poderes, o centralismo exacerbado de uma República em frangalhos. Uma República de polichinelo, com o presidente fazendo graça com seus superpoderes (que nem eu nem ninguém lhe conferiu), do neopopulismo pobrista, neste quadro sociocultural em que florescem tiriricas e mulheres-pera.

É perigosa a mobilização populista de uma população que ainda não entrou na ante-sala da sociedade democrática moderna – por falta de educação, saneamento, saúde, mas sobretudo por falta de exemplos de cima.
Raymundo Faoro, o combativo jurista amigo de Lula, falava na triste característica do mundo político brasileiro no Segundo Reinado, controlado por um Parlamento de polichinelo. O conceito pode ser ampliado, pois os casos de Waldomiro Diniz a Erenice, revelam um vasto submundo do qual nem o presidente teria conhecimento. “Não sabia”, como se a imprensa – sempre a imprensa! – e o Ministério Público não viessem martelando tais falcatruas.

Faoro alertava, em Os Donos do Poder, que o modelo político brasileiro se desdobra, desde o Segundo Reinado, nessa máquina baseada na exclusão, na Conciliação, apurando mecanismos que levam ao fortalecimento da chefia única. E, como ensina a história, sempre com trágico desfecho.
Que o presidente que se quer estadista, uma vez curado da embriaguez pelo poder, retome a liturgia e a solenidade que o cargo lhe impõe como presidente de todos os brasileiros – meu inclusive -, e não condottieri de um partido ou facção. Que abra espaço e tempo para entender o que significa o que outro amigo seu, o professor Florestan Fernandes, ensinou: é preciso desmontar o atual modelo autocrático-burguês.

Tarefa que Lula não conseguiu realizar, muito ao contrário, pois fez todas as conciliações, inclusive algumas inomináveis. E Florestan sempre o advertiu do perigo da “costura política pelo alto”, pois os dedos podem ficar presos.

Luís Carlos Prestes, quando da festiva fundação do PT, perguntado sobre o que faltava a esse novo partido, respondeu secamente: “Falta leitura”. O problema hoje é que talvez já não haja tempo para Lula ler, meditar e aplicar o princípio pétreo de um participante da Revolução Francesa, Maximilien Robespierre. “O Incorruptível”, em sua anotação para um discurso à Convenção Nacional republicana, pouco antes de seu guilhotinamento em 1792, deixou escrito o seguinte: “Fui talhado para combater o crime, não para governá-lo”.
Mas para isso, claro, é preciso ter (digamos) pescoço.

(*) Carlos Guilherme Mota, Historiador e professor emérito da FFLCHU da USP. Professor titular na Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Publicado por: bonfa | 20/09/2010

ARTIGO DE HOJE

Esse Artigo que selecionei para hoje, fala por si mesmo. Levanta temas da atualidade brasileira e serve à reflexão sobre o que, de fato, nossos políticos e dirigentes vêm fazendo com o nosso País.

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QUANTO MAIS ESTADO, MAIS CORRUPÇÃO

Carlos Alberto Sardenberg (*)
(Agência Estado)

Pode procurar em qualquer lugar do Brasil de hoje, em qualquer setor da economia, e você vai encontrar empresários, executivos e administradores empenhados em alcançar ganhos de produtividade. É a resposta correta ao ambiente de estabilidade macroeconômica. Se o planejamento não será destruído pela inflação, se os lucros não serão devorados por uma moeda sem valor, então vale a pena – na verdade se torna obrigatório – buscar eficiência dentro do próprio negócio. Agora, imaginem a sensação dessa gente de bem, do lado moderno do País, ao verificar que uma boa conexão em Brasília vale mais do que a criatividade e o esforço físico das pessoas envolvidas nas empresas.

O “capitalismo de compadres” tem esse efeito destruidor sobre o espírito empreendedor, sem o qual nenhum país vai para a frente.
De que adianta ter uma boa ideia e preparar um bom projeto se, para levá-lo adiante, precisa-se de uma decisão ou de um favor de alguém do governo? A conexão para viabilizar o projeto acaba se tornando mais importante do que o próprio projeto.

Vamos logo fazer as ressalvas de praxe: é claro que o mercado não funciona sem o Estado, as leis, os controles e as garantias institucionais; é claro que é indispensável a atuação dos governos em educação, saúde, segurança, transporte; é claro que é razoável a presença do Estado estimulando, de algum modo, setores novos da economia ou setores mais complicados.

Mas é claro também que o Estado no Brasil vai muito além desses pontos. Isso se manifesta em vários níveis. Os dois primeiros separam a atuação do Estado como regulador e fiscalizador da ação direta na economia. No primeiro nível estão, por exemplo, as agências reguladoras. No segundo estão as estatais, os bancos e as empresas públicas, além do próprio governo quando atua como construtor de estradas, portos, hidrelétricas, etc.
Certamente, em todos esses níveis de intervenção estatal pode haver eficiência e espírito público. Imaginem, por exemplo – para ir ao limite -, que os diretores das agências e das estatais fossem contratados no mercado por competentes e reconhecidas consultorias privadas de gestão de recursos humanos.

Absurdo? De jeito nenhum. Isso é até bastante comum pelo mundo afora. O atual presidente do banco central de Israel, Stanley Fischer, um economista americano, foi contratado assim, numa espécie de concorrência global. Aliás, basta abrir as páginas de classificados da revista The Economist: toda semana aparecem editais oferecendo vagas de diretores e presidentes de companhias públicas em diversos países, sem restrição de nacionalidade para os candidatos.

O Brasil, e especialmente no governo Lula, está no lado exatamente oposto. As nomeações são politizadas, cargos repartidos na base de apoio. Isso escancara as portas do “compadrio” e da pura e simples corrupção.
Reparem, um diretor de estatal ou de agência, contratado pela competência, terá compromissos com os resultados fixados por ocasião da admissão. Por exemplo: a diretoria dos Correios terá como objetivo dobrar o faturamento em tantos anos e reduzir o prazo de entrega da correspondência em tantas horas. Cumpriu, recebe o prêmio; não cumpriu, está fora.

Um diretor nomeado pelo partido tem compromisso com o partido e com os companheiros em geral. Note-se que o presidente Lula consagrou como correta a tese de que é preciso colocar os companheiros e aliados, por critérios políticos, nos postos de governo, nas agências reguladoras e nas companhias públicas.
O compromisso com o partido ou com o presidente pode ser cumprido de maneira legal, mas mesmo assim causando danos. O governo pode impor programas e obras, sem roubalheira, mas que só se justificam política e eleitoralmente. Por exemplo, a Petrobrás, tempos atrás, apresentou ao presidente Lula um plano de investimentos mais modesto. O presidente mandou ampliar para os gigantescos programas atuais. É grande o risco de a empresa estar se metendo em projetos caros demais, de baixa rentabilidade.

Lula também está forçando os bancos públicos a aumentarem seus empréstimos, desde para grandes empresas escolhidas pelo governo até para famílias comprarem a casa própria. Os empréstimos podem ser ruins e o dinheiro pode não voltar.
Por que dizemos “pode”? Porque isso só se saberá mais à frente. Mas o precedente é este: estatais e bancos (incluindo o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal) quebraram exatamente com esse tipo de política econômica. Já vimos esse filme. E notem. Os dirigentes, nomeados politicamente, nem pensam em contestar as ordens vindas do governo.

Neste caso, temos erros de política. Mas esse sistema inevitavelmente acrescenta a corrupção. Para dizer francamente, quanto mais Estado na economia, mais corrupção. Exemplo? Os países socialistas, de economia inteiramente estatal, bateram todos os recordes de corrupção e ineficiência.
O governo FHC havia saneado estatais e bancos e introduzido regras técnicas e de mercado para seu funcionamento. O governo Lula repolitizou tudo. Com as consequências que já vemos por aí. Se conseguiram estragar os Correios – com ineficiência e corrupção -, por que não conseguiriam estragar a Petrobrás ou a Caixa Econômica Federal?
É isso aí: nessas atividades econômicas, quanto menos Estado, melhor. Deixem nas mãos dos empreendedores privados. São mais eficientes do que os amigos do rei. E não roubam.
(*) Carlos Alberto Sardenber é jornalista.

Publicado por: bonfa | 17/09/2010

ARTIGO ESPECIAL DE HOJE

Escracho institucional

MAURO CHAVES (*)

O Estado de S.Paulo
(11/09/10)
A esta altura do campeonato político nacional, o que menos importa é saber qual será o resultado das eleições. Se quem ganhar for menos competente para governar o País ou para consertar as crateras administrativas cavadas e camufladas nos últimos tempos, se as oligarquias regionais mais carcomidas readquirirem todas as suas energias predatórias, se cassados chefes de quadrilha passarem a desenvolver com intensidade ainda maior seu milionário tráfico de influência – aumentando o frenético beija-mão que já desfrutam em festas empresariais -,se as tentativas reiteradas de cerceamento da liberdade de imprensa obtiverem êxito semelhante ao de alguns governos de nuestra Latinoamerica, em tudo isso poderá dar-se um jeito.

Afinal de contas, a sociedade brasileira já atingiu tamanho e complexidade (econômico-produtiva, científico-cultural) suficientes para enfrentar tais tolhimentos e não se submeter, docilmente, a caprichos antidemocráticos de detentores de poder. A isso ela conseguirá resistir, de alguma forma. Muito mais grave, no entanto, serão os efeitos, para as próximas gerações, do processo de avacalhação de valores e escracho institucional em curso. Está ocorrendo no País uma desmoralização de instituições permanentes do Estado a que nunca se assistira, nem nos piores momentos de autoritarismo de nossa História.

Na relação dos cidadãos com o Estado pode haver diversas áreas de conflito, cobrança e divergência, mas sempre se preservara uma zona sagrada de tutela, que jamais poderia ter sido invadida ou dominada por grupos políticos, bandos partidários ou que outras entidades sejam, dedicados à conquista e manutenção de controle do poder público. É inimaginável, por exemplo, que o cidadão que tenha uma demanda na Justiça venha a se preocupar com os riscos que corre em razão de eventuais vantagens pessoais que terão os magistrados – ou seus grupos de amigos – ao proferirem suas sentenças desta ou daquela maneira. Da mesma forma, quando faz uma declaração de Imposto de Renda ou fornece qualquer informação ao Fisco, a respeito dos próprios rendimentos, o cidadão contribuinte jamais poderia imaginar que tais informações seriam postas a serviço de algum grupo ou partido político, seja com finalidade de pressão dissuasória, extorsão numerária ou que outros abjetos crimes se venham a praticar com base em informações exclusivas obtidas por agentes detentores de fé pública.

Mas isso está, de fato, acontecendo no Brasil, sob a complacência generalizada das entidades civis, a cumplicidade acovardada das associações de classe – laborais e empresariais -, os esperneares intempestivos das forças (ou fraquezas) políticas oposicionistas e, sobretudo, os deboches e escárnios exemplares de um chefe de Estado e governo que, para tanto, só enxerga (junto com seus áulicos) sustentação ética em sua supostamente avassaladora popularidade. É claro que as criminosas quebras de sigilo – bancário, fiscal, telefônico e de todo gênero – praticadas por servidores públicos, em missões partidárias, não vêm de hoje nem dizem respeito a só uma campanha eleitoral. O que tem vindo à tona – e que a imprensa às vezes consegue descobrir – são apenas faíscas de um incêndio estrutural e profundo do aparelho do Estado brasileiro.

Est modus in rebus, sunt certi denique fines (há uma medida nas coisas, existem, afinal, certos limites) – dizia o poeta Horácio, em suas Sátiras, o que se tem adotado como lema de equilíbrio e moderação do poder nas democracias civilizadas. Mas no Brasil a avidez pelo poder determinou a ultrapassagem de tais limites. Não, não se trata de uma repentina proliferação de corruptos na máquina pública. O que existe é a transformação massiva, sistêmica, de uma imensa máquina administrativa no instrumental de produção de atos e decisões ilegais, em favor dos que desejam manter o poder a qualquer custo.

Por outro lado, a desfaçatez com que altas autoridades procuram dar a entender que o cometimento de crimes – como quebra de sigilo dos cidadãos e a falsificação de documentos – é a coisa mais natural e corriqueira da República só pode estimular a descrença e o desprezo profundo da sociedade, especialmente de suas novas gerações, por tudo o que se refira a lei, regra moral, comportamento ético, respeito ao direito alheio e à própria vida em sociedade. Estão se liquefazendo os nossos valores, ou os substituindo e condensando no lema principal da Lei da Sacanagem, que diz: “Feio é roubar e não saber carregar.” (Pois se aprendeu a carregar muito bem em território nacional.)

Muitos se estão ufanando com o fato de um relatório de agência econômica da ONU indicar que o Brasil já passou do quarto para o terceiro lugar entre os países considerados prioritários para investimentos das multinacionais. Mas não se analisou, ainda, por que os brasileiros são os mais barrados nos aeroportos dos países europeus – conforme dados da Frontex (agência europeia de controle de fronteiras) relativos ao primeiro trimestre de 2010. Em ambos os casos, a explicação é óbvia. É claro que às multinacionais interessa o nosso considerável mercado consumidor e os governantes europeus, grandes vendedores, desdobram-se em elogios às coisas do Brasil.

Mas na hora de receber a influência direta – do comportamento, dos valores éticos, do relacionamento com as regras legais, das pessoas vindas do Brasil – esses países impõem as mais humilhantes restrições. Entre janeiro e março deste ano 1.840 brasileiros foram escorraçados da Europa e mandados de volta para o Brasil. É que lá fora já se descobriu o estrago moral por que tem passado a sociedade brasileira – pois no mundo globalizado e online não funciona mais a repetição exaustiva de mentiras que se transformam em verdade.
(*) Jornalista, Advogado, Escritor, Administrador de Empresas e Pintor.

Publicado por: bonfa | 06/09/2010

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Publicado por: bonfa | 03/09/2010

LUZES VERMELHAS ACESAS

COMEÇOU O VALE-TUDO POLÍTICO

São exatas 23h50m. Estamos na redação do Correio do Amapá. A conversa, gira em torno do mais recente acontecimento na cidade: a invasão dos estúdios da TV Record – Macapá, por um bando armado. Segundo consta, houve quebra-quebra e funcionários foram ameaçados pelos bandidos. A polícia foi chamada e está no local.
Mas, um episódio assim, em pleno curso da campanha eleitoral e a 30 dias das eleições, não pode ter sido executado sem um sério motivo. Até porque, é inusitado em Macapá, nessa época, vermos esse tipo de ação, tudo indica por motivo ligado à política.
O desespero bateu à porta de alguns comitês centrais da campanha para o governo do Estado, após a divulgação da última pesquisa do Ibope, na quarta-feira (1°). A realidade dos números – aliás, amplamente contestados por vários candidatos ao Senado e ao governo – mostra queda vertical de quem vinha subindo nas duas pesquisas anteriores, e subida de quem estacionara e se encontrava hibernando na preferência do eleitorado amapaense.
O vale-tudo político, prenuncia nuvens carregadas na campanha. O poder e seu domínio, fazem com que se perca o senso das medidas morais e da ética. É vital e decisivo, inclusive para as carreiras públicas de muitos, manter-se na crista do poder, sem o qual seus projetos e estilo luxuoso, egoísta e hipócrita de vida, nada vale.
O Estado do Amapá, é infinitamente maior do que a estreira visão da maioria esmagadora dos seus políticos. Resta saber se eles têm consciência disso e se, por experiência de vida, aprenderam a levantar os olhos para horizontes mais promissores, humanos e civilizados.

Publicado por: bonfa | 03/09/2010

COLUNA AV. FAB – JORNAL CORREIO DO AMAPÁ

AVENIDA FAB

PESQUISA POLÊMICA
Ainda repercutem os comentários e o pronunciamento, feito pelo senador Papaléo Paes (PSDB), acerca da última pesquisa do Ibope, no Amapá. Vários políticos, em Macapá, mesmo sem declarações formais, contestaram os números apresentados. Também o senador amazonense Arthur Virgílio, colega de partido de Papaléo, criticou os institutos de pesquisa, achando que prestam um “desserviço à democracia.”

BRASIL QUEIMANDO
O governo federal, mais preocupado em eleger a candidata do presidente Lula, entregou os órgãos de fiscalização ambiental à própria sorte. Ontem, as agências de notícias informavam que houve expressivo aumento nas queimadas de florestas, Brasil a fora. Até o fim de agosto, nada menos que 30.857 focos de incêndios foram detectados pelos satélites, sob controle do Instituto Nacional de Pesquisas espaciais (S. José dos Campos, SP).

INSEGURANÇA
Quase ninguém percebe, mas aumentaram nas metalúrgicas da cidade as encomendas de grades e portões de todos os tamanhos. As residências de Macapá, por questões de segurança, exibem aspecto de verdadeiras prisões, complementadas pelas cercas elétricas e câmeras de filmagem. Nos canis, as pessoas procuram cães de guarda. Todos se previnem contra a ação de marginais e assaltantes.

FLANELINHAS
Durante a última campanha municipal, praticamente todos os candidatos prometeram olhar com “mais carinho”, para a situação dos chamados flanelinhas. Eles são dezenas, espalhados na zona urbana de Macapá, fazendo o trabalho de guarda de veículos, sem qualquer tipo de fiscalização de suas ações. Ficaram esquecidos pelo poder público. Aliás, já registraram-se casos de arrombamentos de carros no Araxá, feitos com ajuda e cumplicidade de flanelinhas.

INDICATIVOS
Em outras cidades, a partir de Belém, Pará, pode-se ver nos pontos de ônibus placas indicativas dos itinerários e, bem visível, o respectivo número das linhas, ou seja, aquele número que corresponde ao ônibus. Tudo isso, facilita a vida de quem depende do transporte coletivo, inclusive para as pessoas que não conhecem bem a cidade. Assunto fácil de resolver.

BANHEIROS IMUNDOS
Faz até vergonha, num prédio altamente movimentado como a Assembléia Legislativa, uma pessoa entrar nos banheiros. O descuido com a higiene é total. Não se tem nem uma simples toalha de papel, muito menos papel higiênico. Detergente ou desinfetante, nem pensar. A pergunta é a seguinte: para onde vai a dotação orçamentária (repasse) mensal que a Assembléia recebe?

DESCUIDO
Para quem passa na Av. Raimundo Álvares, altura da casa de shows Carinhoso, torna-se incompreensível a realidade de tanto mato e lixo nas proximidades. Semana passada, alguns irresponsáveis estavam jogando carcaças de animais naquele local. Quase no portão das mansões e casarões do bairro. De fato, há setores na Prefeitura de Macapá que, por essas razões, devem estar dormindo literalmente de touca.

GÁS URBANO
A cidade expande para a zona norte e não se entende como a prefeitura da capital e outros órgãos correlatos, podem licenciar empresas distribuidoras de gás (botijões e garrafões especiais), para funcionarem ao lado de residências. Isso devia ser proibido. Há terrenos disponíveis, fora da área densamente habitada que podem ser utilizados. Infelizmente, só irão acordar no dia em que acontecer o pior e casas e pessoas forem atingidas por uma explosão.

Publicado por: bonfa | 17/08/2010

DESABAFO DO GIL

PUXAR SACO OU PUXAR CARROÇA?

Por: Gil Silva

Outro dia, após passar três dias de vacas magras, gastando as poucas moedas do cofre, para comprar fraldas a retalho para minha filha, soltei a seguinte frase: “até aonde vai o princípio de um homem”? Como muitas outras frases célebres que costumo usar, esta causou curiosidade nas pessoas. Agora, já recomposto do regime forçado, explico o que queria dizer. Na verdade, os intermináveis dias de aperreio me fizeram refletir sobre meus princípios e sobre o valor deles.
Passei a me questionar se o que defendo é, de fato, o mais coerente.
Certa vez, num bate-papo com um colega de trabalho, ele disse que parecia muito comigo: afirmou não ter nada, porque preferia puxar carroça a puxar saco. Só que algum político, desses que gostam de usar frases de efeito, disse-lhe que melhor, mesmo, era puxar saco do que puxar carroça.
Ora, partindo deste princípio e sem o dim-dim no bolso, nem a quem recorrer, passei a me questionar sobre a pérola. Nunca me vi compondo a claque de ninguém. Meus pais me ensinaram muita coisa. A vida, outras tantas. Mas esqueceram de me ensinar a bajular alguém, principalmente político.
E quando analiso a afirmação que tal político fez ao meu amigo, chego à seguinte conclusão: quem puxa-saco, deixou de puxar carroça, sim. Mas, além do saco, passou a puxar outra coisa: uma charrete, que traz sobre ela o dono do saco com um açoite para controlar o “puxador”. E não basta apenas puxar saco. É preciso aprender a engolir sapo, pra não dizer ouvir cagada e até ser humilhado. Porque pra muitos senhores do poder, não importa quem puxa a charrete – ou melhor, o saco –, o importante é que sempre haverá alguém para fazer tal tarefa.
Quem decide trocar a carroça pela charrete tem, por certo, seus benefícios. Ganha sua assessoria, tem acesso fácil ao chefe e, por conseguinte, ao seu meio, vivendo, desta forma, um mundo que não lhe pertence, mas que o encanta e até deslumbra. Dificilmente, enfrentará os dias difíceis que enfrentei e que me levaram a aprofundar meus pensamentos sobre a questão. Assim, o puxa-saco faz de tudo para zelar pelo que lhe é proporcionado.
Como nesta época, nenhum voto pode ser descartado, puxa-saco fica importante. Não só ele, como todo eleitor em potencial. Quem almeja chegar ou se manter no poder, faz questão de abraçar a todos. Fala com intimidade, até com quem nunca viu na vida. Senta-se ao chão para tomar café ou comer alguma coisa. E, mesmo que não esteja tão saboroso, lambe os beiços, prometendo voltar outro dia, para mais um dedo de prosa.
Para convencer o eleitor, pede “humildemente” o voto, como se um dia tivesse sido humilde – se foi, certamente, não faz questão de voltar a ser. Passado o pleito, quem puxou a charrete, por certo, permanecerá com suas vantagens, se o chefe obteve sucesso. Quem apenas votou e estava de convidado na carruagem, é convidado a sair e só embarcará novamente no próximo pleito. Infelizmente, é assim que funciona.
Quanto à minha pergunta, começo a achar que, como tudo na vida, os princípios de um homem têm limite. E o que me entristece, podem ter preço. Não sei até aonde vai o limite dos meus. Mas, se tiver que ir contra eles, que seja por algo que valha a pena. Não por míseros reais e milhares de responsabilidades e puxões de orelha. Percebo que não basta ser profissional, tem que, literalmente, vestir a camisa, adesivar o carro, colar cartaz na parede de casa e fazer tremular as bandeiras nas esquinas, como se tudo isso valesse como um voto, embora reconheça que o visual causa impacto, mas não decide uma eleição.
Espero que a tão sonhada reforma política, que caminha a passos lentos, possa, um dia, virar realidade. Que votar seja um ato democrático de verdade, pois hoje vivemos uma falsa democracia. Não podemos escolher se devemos ou não votar. Em pleno domingo, quando deveríamos estar descansando ou gozando da companhia da família, somos obrigados a sair de casa, encarar filas e votar. Ai de quem não comparecer à sessão eleitoral. Uma série de sanções lhe aguarda pela frente. Se é obrigatório e pune quem não pratica o “ato de cidadania”, logo, não é democrático.
Pior mesmo, é ver e ouvir ONGs e instituições governamentais fazendo campanhas pelo voto consciente, sem que o eleitor precise se vender. Só que esquecem que a tal eleição proporcional, desconhecida pela maioria dos eleitores, vai de encontro a tudo isso. Às vezes, até votamos num candidato que acreditamos ser honesto, mas – exatamente por ser honesto – as chances dele são ínfimas.
E por fazer parte de uma coligação com “cobras” da política, os votos depositados a ele servem para formar o confuso quociente eleitoral. Assim, aqueles poucos votos ajudam a eleger os mais votados da coligação, claro, aqueles que têm mais dinheiro, mais poder e que fazem parte do sistema.
Costumo dizer que religião, futebol e política não se discute. Assim, deixo minha opinião para reflexão de todos.

Publicado por: bonfa | 17/08/2010

COLUNA JORNAL A GAZETA

AGENDA GERAL

(17/08/10)

VOLTA O PESADELO
Na quinta-feira passada, nos EUA, alguns grupos radicais voltaram a fazer manifestações de cunho racista. São jovens e adultos que teimam em retirar das cinzas aquelas idéias sombrias do nazismo. Eles querem, segundo anunciaram à imprensa, “fazer uma nação de puro sangue branco.” Relembrando também aqueles tristes episódios da Ku-Klux-Kan, que deixaram um rastro de impiedades, injustiças e sangue inocente derramado naquele país.

ALGUÉM PARA OUVIR
Os milhares de passageiros que utilizam rotas no Brasil, já não estão órfãos. Os juizados especiais, instalados nos aeroportos, completaram 1.800 atendimentos de reclamações contra as empresas aéreas. São atrasos de vôos, principalmente. Seguido de recusas em colocar as pessoas num hotel e dar-lhes tratamento um pouco melhor que a animais sarnentos. Há gente que dorme no chão das salas de embarque. Um absurdo, pelo preço que costumam cobrar pelas passagens.

BOMBA-RELÓGIO
O felizardo (a) que herdar de Lula a presidência da República, não encontrará um país totalmente estabilizado pela frente. Houve baque nas exportações e a balança comercial do Brasil – pelo menos com os países importadores da Europa – tende a oscilar e a cair, conforme vem ocorrendo há um ano. Fosse pouco, ficaremos estagnados no ranking de renda mundial. As obras do PAC 1 e 2, “empacadas”, não conseguem sair do papel. Menos de 30% delas tiveram efetivo cumprimento. A reforma geral das estradas e rodovias exige investimento inicial de R$ 31 bilhões, o setor saúde está na UTI e as queimadas continuam firmes na Amazônia.

OLHO NELES
Não é segredo para ninguém que alguns candidatos, há meses, já vinham trabalhando suas bases e arregimentando cabos eleitorais. Igualmente, só um idiota pensaria que as tais declarações de bens da moçada, em essência, refletem a “pobreza e necessidade” deles. Nada disso. O dinheiro começou a circular na praça. O TRE, diz-se por aí, prepara sua brigada de fiscalização e as multas – para os que forem apanhados em infrações eleitorais – são pesadas. Pena é que essa lei da Ficha Limpa, aparentemente, veio para inglês ver.

MAIS UNS TROCADOS
Uma pesquisa do DataFolha, constatou o óbvio: grande número dos jovens brasileiros, abraçaram a campanha política e deixaram em segundo plano os vestibulares e o namoro. Ora, época de eleições é oportunidade de faturar uns cobres extras. Tanto que nas cidades maiores, até sindicato de cabos eleitorais já existem. A turma se organiza, vai às ruas, leva o nome dos candidatos e perde um pouco daquela prevenção e raiva que a juventude sempre teve dos políticos e da política. Menos mal.

GAZUA NO COFRE
Até se admite a existência de excessiva e onerosa burocracia no Brasil. Afinal, herdamos costumes lamentáveis dos nossos avoengos portugueses e espanhóis e nos habituamos a tudo esperar do “papai” governo. Porém, essa do presidente Lula da Silva, numa canetada, limitar as funções do Tribunal de Contas da União (TCU), é um pouco demais. Isso, não é coisa de país decente. Garrotear o TCU, em relação à Lei de Diretrizes Orçamentárias, versão 2011, é escancarar as facilidades do governo gastar sem limites. Pior, sem dar satisfações a ninguém. Mais cartões corporativos “chapa-branca”, mais roubo, mais sacanagem com o dinheiro público.

REFUTANDO OS NÚMEROS
O ministério da Saúde, foi a primeira instituição brasileira a refutar os últimos números da ONU, relativos àquele Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), recém dados à público. De fato, a saúde não vai nada bem e pessoas do povo – os que não podem pagar, nem sonhar com um plano de saúde particular – continuam morrendo em corredores de hospitais, como cachorros. Assim, quando uma organização internacional põe o dedo na ferida, é esse oba-oba de gritaria e chiliques das “comadres” petistas, em Brasília. Competência e determinação, é isso que falta na saúde e outros setores da vida nacional.

TUDO IGUAL
Onde anda aquele secretário estadual de governo, que tecia elogios rasgados ao novo sistema de grades e telas, a serem colocadas em trechos da BR-156, a fim de resolver o problema dos atoleiros? Pois o lamaçal continua lá, nos mesmíssimos lugares. Atrasando as viagens para Oiapoque e infernizando a vida de quem depende da BR. Certas horas, dá a impressão de que o Estado do Amapá, por algumas razões, não possui engenheiros, nem rodoviários, nem calculistas, nem especializados em construção civil.

Publicado por: bonfa | 17/08/2010

ARTIGO DE TERÇA-FEIRA (17)

GANHEI CORAGEM

Rubem Alves
(colunista da Folha de S. Paulo)

“Mesmo o mais corajoso entre nós só raramente
tem coragem para aquilo que ele realmente conhece”,
observou Nietzsche.
É o meu caso.
Muitos pensamentos meus, eu guardei em segredo.
Por medo.
Alberto Camus, leitor de Nietzsche, acrescentou um detalhe
acerca da hora em que a coragem chega:
“Só tardiamente ganhamos a coragem de assumir aquilo que sabemos”.
Tardiamente.
Na velhice.
Como estou velho, ganhei coragem.
Vou dizer aquilo sobre o que me calei:
“O povo unido jamais será vencido”, é disso que eu tenho medo.
Em tempos passados, invocava-se o nome de Deus
como fundamento da ordem política.
Mas Deus foi exilado e o “povo” tomou o seu lugar: a democracia é o governo do povo.
Não sei se foi bom negócio;
o fato é que a vontade do povo, além de não ser confiável,
é de uma imensa mediocridade.
Basta ver os programas de TV que o povo prefere.
A Teologia da Libertação sacralizou o povo
como instrumento de libertação histórica.
Nada mais distante dos textos bíblicos.
Na Bíblia, o povo e Deus andam sempre em direções opostas.
Bastou que Moisés, líder, se distraísse na montanha
para que o povo, na planície,
se entregasse à adoração de um bezerro de ouro.
Voltando das alturas, Moisés ficou tão furioso
que quebrou as tábuas com os Dez Mandamentos.
E a história do profeta Oséias, homem apaixonado!
Seu coração se derretia ao contemplar o rosto da mulher que amava!
Mas ela tinha outras idéias.
Amava a prostituição.
Pulava de amante e amante enquanto o amor de Oséias
pulava de perdão a perdão.
Até que ela o abandonou.
Passado muito tempo, Oséias perambulava solitário
pelo mercado de escravos.
E o que foi que viu?
Viu a sua amada sendo vendida como escrava.
Oséias não teve dúvidas.
Comprou-a e disse:
“Agora você será minha para sempre.”.
Pois o profeta transformou a sua desdita amorosa
numa parábola do amor de Deus.
Deus era o amante apaixonado.
O povo era a prostituta.
Ele amava a prostituta, mas sabia que ela não era confiável.
O povo preferia os falsos profetas aos verdadeiros,
porque os falsos profetas lhe contavam mentiras.
As mentiras são doces;
a verdade é amarga.
Os políticos romanos sabiam que o povo se enrola
com pão e circo.
No tempo dos romanos, o circo eram os cristãos
sendo devorados pelos leões.
E como o povo gostava de ver o sangue e ouvir os gritos!
As coisas mudaram.
Os cristãos, de comida para os leões,
se transformaram em donos do circo.
O circo cristão era diferente:
judeus, bruxas e hereges sendo queimados em praças públicas.
As praças ficavam apinhadas com o povo em festa,
se alegrando com o cheiro de churrasco e os gritos.
Reinhold Niebuhr, teólogo moral protestante, no seu livro
“O Homem Moral e a Sociedade Imoral”
observa que os indivíduos, isolados, têm consciência.
São seres morais.
Sentem-se “responsáveis” por aquilo que fazem.
Mas quando passam a pertencer a um grupo,
a razão é silenciada pelas emoções coletivas.
Indivíduos que, isoladamente,
são incapazes de fazer mal a uma borboleta,
se incorporados a um grupo tornam-se capazes
dos atos mais cruéis.
Participam de linchamentos,
são capazes de pôr fogo num índio adormecido
e de jogar uma bomba no meio da torcida do time rival.
Indivíduos são seres morais.
Mas o povo não é moral.
O povo é uma prostituta que se vende a preço baixo.
Seria maravilhoso se o povo agisse de forma racional,
segundo a verdade e segundo os interesses da coletividade.
É sobre esse pressuposto que se constrói a democracia.
Mas uma das características do povo
é a facilidade com que ele é enganado.
O povo é movido pelo poder das imagens
e não pelo poder da razão.
Quem decide as eleições e a democracia são os produtores de imagens.
Os votos, nas eleições, dizem quem é o artista
que produz as imagens mais sedutoras.
O povo não pensa.
Somente os indivíduos pensam.
Mas o povo detesta os indivíduos que se recusam
a ser assimilados à coletividade.
Uma coisa é a massa de manobra sobre a qual os espertos trabalham.
Nem Freud, nem Nietzsche e nem Jesus Cristo confiavam no povo.
Jesus foi crucificado pelo voto popular, que elegeu Barrabás.
Durante a revolução cultural, na China de Mao-Tse-Tung,
o povo queimava violinos em nome da verdade proletária.
Não sei que outras coisas o povo é capaz de queimar.
O nazismo era um movimento popular.
O povo alemão amava o Führer.
O povo, unido, jamais será vencido!
Tenho vários gostos que não são populares.
Alguns já me acusaram de gostos aristocráticos.
Mas, que posso fazer?
Gosto de Bach, de Brahms, de Fernando Pessoa, de Nietzsche,
de Saramago, de silêncio;
não gosto de churrasco, não gosto de rock,
não gosto de música sertaneja,
não gosto de futebol.
Tenho medo de que, num eventual triunfo do gosto do povo,
eu venha a ser obrigado a queimar os meus gostos
e a engolir sapos e a brincar de “boca-de-forno”,
à semelhança do que aconteceu na China.
De vez em quando, raramente, o povo fica bonito.
Mas, para que esse acontecimento raro aconteça,
é preciso que um poeta entoe uma canção e o povo escute:
“Caminhando e cantando e seguindo a canção.”,
Isso é tarefa para os artistas e educadores.
O povo que amo não é uma realidade, é uma esperança.

Publicado por: bonfa | 11/08/2010

PAUTA LIVRE – JORNAL DOS MUNICÍPIOS

PAUTA LIVRE

(11/08/10)

ARRISCANDO TUDO

Há não muito tempo, em nossos escritos, mencionamos os cuidados que devem ter os concorrentes às eleições deste ano, em referência à divulgação da publicidade de campanha.

Na capital, podem ser vistos os cartazes, pinturas murais, out-door e dezenas de grupos de cabos eleitorais, distribuindo folhetos e os tradicionais santinhos dos candidatos. Tudo isso, faz parte da rotina de campanha. Mas, além de ser preciso determinados cuidados com a limpeza da cidade, nenhum candidato e seus cabos eleitorais, podem fazer propaganda fora dos horários determinados na Lei Eleitoral, nem incomodar o sossego alheio, quando se tratar de reunião numa igreja, por exemplo, abusando do som nos carros e naquelas terríveis cornetas, parecendo as famosas vuvuzelas africanas da Copa.

A fiscalização do Tribunal Regional Eleitoral, até o momento e que eu saiba, não emitiu nenhuma multa a candidatos, por excessos na propaganda, nem tampouco recebeu denúncias de distribuição de cestas básicas e material de construção, conforme ocorreu na passada eleição municipal, em 2008.

Se a campanha continuar tranqüila – como está agora – serão evitados muitos aborrecimentos e nenhum candidato perderá tempo precioso, por não obedecer as normas eleitorais em sua propaganda geral. Afinal, se é possível fazer campanha sem maiores problemas com a Justiça, por que não controlar o pessoal interno, especialmente os coordenadores de bairro, gente que sempre arranja um jeito de fazer as coisas da própria cabeça – tentando agradar ao candidato – mas sem medir as possíveis conseqüências.

Campanha, é claro, não deixa de ser uma guerra. Quem entra, visa somente um objetivo: ganhar as eleições. Mesmo que, para tanto, seja preciso passar o rolo compressor sobre a cabeça de eventuais adversários. Ganhar, ganhar, ganhar. E ficar os próximos quatro anos administrando as mordomias, vantagens e benesses que acompanham qualquer cargo nos legislativos federal, estadual e municipal. Assim é o jogo.

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