Publicado por: bonfa | 10/09/2009

ARTIGO DE HOJE

 

                                  A SÍNDROME DALVA

                                            Bonfim Salgado

 

     Não faz tempo, num desses aniversários pela cidade, seleto grupo de advogados e pessoas da sociedade debatiam um tema interessante: a futura performance do vice-governador Pedro Paulo Dias, caso assuma o Estado. Notei que esse assunto – como poucos – divide instantaneamente as opiniões.

    O velho ditado diz que gato escaldado tem medo de água fria. Deve ser verdade. Quem não conhece o vice-governador senão através da imagem pública que exibe, pode a priori cometer um erro palmar: julgá-lo no mesmo nível político da ex-governadora e deputada federal Dalva Figueiredo (PT). Vice de João Alberto Capiberibe (PSB), madame Dalva assumiu a plenitude do governo do Estado, naquele prazo fatal de abril. Exatamente quase nas mesmas circunstâncias agora colocadas à frente de Pedro Paulo Dias, em se tratando da possível substituição de Waldez Góes.

    No geral, não poderíamos dizer que madame Dalva fez um bom governo nos oito, nove meses de posse da caneta do poder e do Diário Oficial. Seu erro fatal – opinião compartilhada por muitas cabeças da política amapaense – foi não fazer a seleta prévia e sine qua non de sua assessoria direta. Mais cedo do que seria de esperar, as vaidades de vários secretários vieram à tona – e Dalva Figueiredo, em que pese suas boas intenções àquela época, submergiu nas ondas dos desencontros administrativos. A campanha dela ao governo, apenas refletiu o quanto pode ser perniciosa a pressão político-partidária – no caso, vinda do PT – e o descaso de muitos com um programa de ação que, fossem outras as variantes, bem poderia ter dado certo.

     Importa considerar que o atual vice-governador, por algumas razões específicas, não deve ser comparado com sua “ex-colega” de cargo. Cada eleição é diferente em suas nuances. O cenário do Amapá de hoje, por extensão óbvia, é outro. A política, por sua vez, evoluiu pouco, mas evoluiu. Lideranças se consolidaram e outros nomes, expressivos e influentes, apareceram em cena. A exemplo do deputado-presidente da Assembléia Legislativa, Jorge Amanajás (PSDB), candidato ao governo do Estado em 2010.

     Pedro Paulo Dias, quer me parecer, já está bastante crescidinho, para não prestar atenção no jogo cabotino da política do Amapá. Ele sabe que não deve hesitar e suas cartadas devem ser certeiras. Se necessário,  dar o troco àqueles que desejam vê-lo mal na secretaria estadual da Saúde. Setor problemático que ele tem demonstrado necessitar de novos padrões de organização e gestão.

     As grandes decisões que tomar – incluso o filtro de qualidade em sua assessoria – amaciarão o gramado para a partida de 2010. Sem esquecer a base eleitoral, o contato e acordos com lideranças da sociedade civil organizada. Se proceder assim, livra-se dos azarentos e Cassandras de plantão, aproveita o tempo de mandato temporário – e sai candidato ao governo do Estado, de cabeça erguida e empunhando um verdadeiro projeto para o Amapá do século 21.


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