PODE SER QUE VOCES NEM PRESTEM ATENÇÃO NOS FATOS. AFINAL, AS COISAS COSTUMAM MUDAR MUITO RÁPIDO DE APARÊNCIA NESSE BRASIL. PRINCIPALMENTE, NOS CONTRAFORTES DA POLÍTICA. MAS, ACESO QUE ESTÁ O DEBATE – PRECIPITADO A MEU VER – SOBRE A CANDIDATURA PRESIDENCIAL DA MINISTRA DILMA ROUSSEFF (CASA CIVIL), QUE FAZER? SÓ NOS RESTA ACOMPANHAR A BANDA. PARA QUE NOSSA ESCOLHA NAS URNAS, QUANDO MENOS, TENHA ALGUMA CONSISTÊNCIA.
CARTAS DO DESTINO
Nessas esquinas por aí, de vez em quando, deparamos com as ciganas. Quase fatalmente, elas portam suas cartas. Oferecendo-se para desvendar aspectos do nosso destino. A buena dicha (boa sorte) pode estar nos esperando, afinal. Contudo, no caso da ministra da Casa Civil, senhora Dilma Rousseff, nenhuma cigana passou no palácio do Planalto. Ela precisa cuidar-se, pois. E já veremos por que.
Ontem, saindo do caixão de formol onde hiberna, Orestes Quércia (PMDB), ex-governador de S. Paulo e ex-senador, abriu a boca e disse não haver acordo possível – para 2010 – com a candidata de Lula. Como sabe toda a gente, Quércia é uma espécie de Capi de Tutti Capi na política paulista, notadamente no PMDB. Fala o que quer, a hora que bem entende – e costuma ter platéia. É poderoso, rico, bem situado e, dizem lá, não costuma brincar em serviço.
Queira ou não, coitada, a senhora Rousseff terá de estudar seu destino, a partir de São Paulo. Se estiver mal nas pesquisas paulistas, os fados sempre aconselham o pretendente a ir procurar candidatura presidencial em outra freguesia ou em algum planeta do sistema solar. Porque sem São Paulo, ninguém vai a lugar nenhum na alta política nacional. José Serra que o diga.
SEM OPÇÕES
Na verdade, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, descontados seus arroubos ufanistas – para inlgês e francês ver – encontra-se numa daquelas situações extremas, literalmente no mato sem cachorro e, pior, sem bússola. Não tem opções de nomes para lançar na disputa presidencial. Oito anos de mandato, para chegar ao fim do governo numa situação dessas. Ou será que, no apagar das úiltimas luzinhas, ele irá pegar algum Zé Dirceu da vida e lançar no fogaréu? Se fizer isso, o homem tá perdido.
Mercadante e Suplicy, ambos de S. Paulo e senadores, andam arrufados com o governo. Mercadante tentando salvar as aparências de liderança no PT, Suplicy, cuidando para que o senador José Sarney saiba que o furdunço dos escândalos no Senado não deve, nem pode ir para baixo do tapete, sem mais aquela.
DELENDA VICE
Se não me falha a memória histórica, era Cícero, grande tribuno senatorial na Roma Antiga, quem iniciava seus discursos com a frase famosa: “Delenda Cartago.” Cartago deve ser destruída. De lá a esta parte, qualquer estudante que se preze sabe muito bem o que aconteceu com Cartago e seus habitantes.
No Amapá e em sua política, anda acontecendo algo semelhante. Há gente interessada em destruir o vice-governador. Se possível, inviabilizar, previamente, suas pretensões de candidatar-se ao governo do Estado. Ora, respeitemos as proporções históricas e situemos os fatos amapaenses em sua devida medida de importância. Ocorre que, havendo quase inevitável necessidade de afastamento legal do governador Waldez Góes (PDT), em abril de 2010, para concorrer a uma das duas vagas para o Senado, deve assumir o governo o seu vice, o médico Pedro Paulo Dias (PP). Aqui reside a primeira questão.
No geral e, disseram-me, também no particular, os dois – Waldez e Pedro Paulo – dão-se bem. Participam de reuniões e de inaugurações de escolas, podem ser vistos sorrindo em cerimônias diversas e mantém. aparentemente, um bom clima de relacionamento administrativo. As respectivas assessorias, ante a proximidade da eventual saída de Waldez Góes, é que andam se bicando. É o início da luta pelo poder. A demarcação de limites de quem pode mandar no futuro governo. O pessoal palaciano de hoje, a falta do que fazer de melhor, promove solertes boicotes a Pedro Paulo, que absorve as punhaladas e vai tocando seu futuro projeto. Aqui reside a segunda questão.
Lógico, a turma de oposição – João Alberto Capiberibe e Cia. Ltda, e outros menos cotados - pacientemente aguarda o desfecho de abril (prazo eleitoral) e mais pacientemente ainda, coleciona munição para os palanques e panfletos, relacionando as falhas administrativas e políticas do governante atual. “Waldez que se cuide” – dizem. E Pedro Paulo? Delenda vice? Eu também diria “Pedro Paulo que também se cuide.” Aqui reside a terceira questão.
RESUMO DOS FATOS
Primeiro, as eleições de 2010 não serão um passeio para ninguém. As duas vagas para o Senado, pelo menos até agora, não estão asseguradas para nenhum dos postulantes, inclusive o governador Waldez Góes. Considerando a agravante de que Waldez não pode dar-se ao luxo de perder esse bonde, é fácil deduzir a fervura de bastidores que deve estar acontecendo no atual governo. Não há mais tempo útil para nenhum projeto de médio ou longo prazo. O governador tem lá o seu portfólio de realizações a mostrar nos palanques e no horário eleitoral da TV. Os secretários estaduais, a maioria sem expressão político-administrativa, até o momento, continua dormitando em suas cadeiras. É aconselhável começar a arrumar as gavetas. Quem se destacou de alguma forma (raros), muito que bem; quem não conseguiu superar mediocridade e incompetência, prepare-se para o fatal mergulho no implacável poço de esquecimento público. É a vida.
Segundo, as assessorias de Waldez e Pedro Paulo, logicamente infiltradas por um tipinho de gente que nada tem a perder – sai governo, entra governo – promove o cenário de fim de festa. Quem está nos cargos, vai tratando de “eliminar” os concorrentes e, por que não?, os adversários. Quem aprecia o jogo do poder de fora, torce os dedos e aposta na queda de A, B e C, independente se o fulano ou fulana encontra-se no palácio Setentrião ou fora dele. Waldez, precisa preocupar-se com seu esquema de campanha senatorial; Pedro Paulo, pode e deve, o mais rápido possível, estabelecer as linhas-mestras, a rota do seu projeto. Listando quem entrará ou não na canoa com ele.
Terceiro, a chamada oposição não está tão articulada assim. Muita água política ainda vem por aí. Além do fato que João Capiberibe (PSB), de repente, pode querer entornar a tigela de mingau quente, ameaçando candidatura ao governo do Estado. Cargo executivo para o qual ele sabe não ter condições de empalmar, por enquanto. O que ele almeja é retornar ao Senado. O que planta armadilhas e cascas de banana políticas no caminho dos senadores Gilvam Borges (PMDB) e Papaléo Paes (PSDB), ambos postulando uma das vagas para o Senado.
Quanto ao fogo cerrado que pretendem lançar sobre as possíveis mazelas da administração Waldez Góes, nada de novidade. Qual foi o governador que não passou nesse inferno astral? No mais, acredito que Waldez deva sair do cargo com suas costas protegidas, o que significa um bom acordo político com o seu sucessor, justamente o médico Pedro Paulo Dias. Se isso não ocorrer, paciência. As cortinas podem desabar no meio da comédia e o cenário político amapaense quedará bastante incerto e confuso.