A SUPREMA BURRICE
Bonfim Salgado
Não faltava mais nada. O universo da política brasileira – paciente terminal acossado pelos maiores absurdos e sandices – acaba de ganhar outra triste contribuição. No Congresso Nacional, instituição vivendo sob o chicote implacável da falta de credibilidade, desatualização, compadrio mercenário e mandonismo corrupto, deputados e senadores discutem os remendos da reforma eleitoral.
Para desinformados e concordinos de todos os matizes, isso pode até parecer trabalho político. Tentativa verdadeira de dar rumos mais arejados e modernos, à caduca legislação eleitoral do país. Legislação draconiana em sua essência coercitiva e limitadora das liberdades de cidadania. Um amontoado de jurisdição, oportunista o corporativa que – há décadas – amordaça o debate legislativo-eleitoral e abate, sem remissão, os caminhos legais e princípios que já deveriam ter sido adotados, a fim de abrir as janelas do Parlamento aos ventos do século 21.
Na ânsia de proteger carcomidos feudos políticos – em todo o país, notadamente nas pobres e miseráveis regiões do Norte e Nordeste – além de escandalosos privilégios eleitorais e partidários, nossos políticos perderam o senso das proporções, o bom-senso e, o que é mais inaceitável, a oportunidade de oferecer ao país uma legislação eleitoral escoimada de seus vícios de origem. Ao contrário, mantendo o status quo das veredas por onde desfilam sua corrupção, sua compra descarada de votos, seu coronelismo de fancaria e sua impunidade, devem aprovar um texto de reforma eleitoral que já nasce com defeitos congênitos. Um monstrengo teratológico, dir-se-ia um novo Frankenstein eleitoral.
O cúmulo do absurdo e da burrice mais elementar, diz respeito às limitações no uso da Internet, no período de eleições. Solerte tentativa de cercear o direito às liberdades de consciência e de opinião. À falta de melhor idéia, nossos legisladores querem, sem mais aquela, proibir que usemos a Internet! Francamente, em termos de colossal perda de tempo e vergonhosa palhaçada legislativa, essa merece o Oscar - sem louvor!