Pode parecer ironia, mas o presidente Lula da Silva, evidentemente com o poder a tirar-lhe a serenidade, acaba de declarar sua decepção com o que classificou de “pequenez” da política. Convenhamos, pequenez que ele mesmo tem ajudado a perpetuar. Inclusive, no melhor estilo do bigodudo Jânio Quadros (ex-presidente que renunciou), Lula também agora fala em “forças ocultas”. Meu Deus! Estaria o presidente frequentando terreiros de macumba? O Brasil político não é um país agradável. Cheira mal.
PEQUENEZ DE QUEM?
Nestes tempos de escândalos colocados debaixo do tapete das mil e uma impunidades, o que dizer? O Senado da República, a certas horas, mais parece uma reunião de colegiais irresponsáveis. Não passa a imagem de uma instituição séria. Uma casa comprometida com as grandes questões da nacionalidade brasileira. Para desembocar nessas pesquisas que estão fazendo por aí, onde espelha-se em gênero, número e grau o nível de decepção de todos nós, para com a classe política.
Há muita coisa e muito trabalho a fazer no Brasil de hoje. Os problemas sociais – alguns gravíssimos, como o sucateamento da assistência à saúde e a falta de políticas para idosos e jovens – fazem com que o país, não raro, iguale-se àquelas republiquetas africanas de baixo nível. Justamente, porque se o atual governo obteve relativo êxito em domar – em parte – a sanha especulativa e a economia, por outro lado, tem recebido nota Zero em termos de resolução dos problemas que mais afligem a população: segurança, desemprego, acesso à educação básica (elementar), e distribuição mais equitativa de renda.
O assistencialismo emergencial que temos, via Bolsa Família e programas assemelhados, inclusive nos Estados, um belo dia vai estourar o balão. O índice de aumento de população (natalidade), será o primeiro item a derrubar essa pantomima assistencialista. Ações que, de fato, apenas minorar a curtíssimo prazo as carências e sofrimentos de milhões de brasileiros. E o day-after, como será?
MAIS VEREADORES
A Câmara dos Deputados, ontem, deu mais um empurrão no rumo da aprovação definitiva da chamada PEC dos Vereadores. Não demora, mais 8.043 senhores e senhoras, convenientemente ataviados e perfumados, estarão assumindo suas cadeiras nas casas legislativas municipais em todo o Brasil.
Para quê? Ora, apenas cumprir a velha sina da política nacional: arranjar o maior número possível de vagas na área política, para o igualmente maior número de futuros demagogos e mentirosos. Com as devidas e raras exceções, é claro.
CONTAS PÚBLICAS
Esse senhor, Mantega, ministro da Fazenda, nunca me enganou. Aquela cara que ele exibe na televisão – nunca o vi pessoalmente, nem quero – dá-me a dimensão exata do mentiroso contumaz. É um Tartufo de paletó e gravata. Pois bem. Já anunciou-se, esta semana, que as contas públicas (principalmente obrigações financeiras e outros gastos inadiáveis do governo), ficaram abaixo da média, em julho. Dizem os “iluminados” do ministério da Fazenda que é o pior resultado no setor, desde 2001. Quem quiser que tire suas conclusões. Lembrando que o mesmíssimo cidadão, Mantega, andava boquejando outro dia que o Brasil cresceria pelo menos 3,5% no PIB em 2010. Desse jeito? Só se for para crescer como rabo de cavalo, para baixo.
SAÍDAS PELA TANGENTE
O senador José Sarney (PMDB/AP), presidente do Senado e do Congresso, anda perdendo o senso de medidas – e de prudência. Acossado pelos cães de caça da oposição – que remexeram nas entranhas mal-cheirosas de sua vida política “secreta” - agora arranjou fórmula sui generis, para resolver a crise onde está a debatar-se: deixar com o Supremo Tribunal Federal (STF), as eventuais cassações dos mandatos parlamentares. Seria cômico, uma piada muito inoportuna, se o caso não fosse tão sério.
A primeira pergunta que se impõe é a seguinte: se assim for, para onde irá a constitucional separação dos Poderes da República? Se qualquer assunto senatorial, quando explodir em crise, passar a ser objeto de canetadas no STF, para quê existe o Senado e sua caríssima estrutura administrativo-funcional? Se os nobilíssimos Senadores, após seus bate-bocas demagógicos - para engabelar a patuléia desinformada – transferirem aos togados do STF as suas pendengas, no mínimo estarão lavando as mãos para o povo, que os elege e paga os excessos e mordomias.
Esse tipo de saída pela tangente, a fim de desviar a atenção do cerne e da fervura dos problemas, é técnica de poder utilizada pelos homens públicos, políticos principalmente, que passam a negar – olhos esbugalhados de indignação, tudo aquilo que jogam-lhes em cima. As evidências podem estar à vista de todos, mais o acusado – como habilmente tem feito o senador Sarney – continua impassível, negando tudo, transformando-se em pobre vítima de “falsas acusações” e “perseguições políticas”. O truque é velho.
REPÚBLICAS MUITO DIFERENTES
Nos Estados Unidos, nada menos que 416 bancos encontram-se perto da falência. São herdeiros da crise, que se alastrou no sistema financeiro mundial. Mas, o que acontece nos EUA, é diferente, muito diferente, das coisas que ocorrem no sistema bancário no Brasil. Aqui, o Banco Central cerca-se de cuidados extremos com as taxas de juros. Para mantê-las, se possível, em altos patamares, a fim de suprir a sanha dos grandes especuladores internacionais. Os verdadeiros credores do país. Se baixam demais os juros, o capital volátil – altamente especulativo – toma outros rumos. Estouram as bolha artificiais das Bolsas de valores (Rio e São Paulo), e as ações vão pro beleléu.
No Brasil, o governo e os banqueiros, em comandita, sempre “ socializam” o prejuízo dos bancos particulares, mas nunca “dividem”, e muito menos particularizam os lucros bilionários que eles auferem da população. Ser banqueiro, por aqui, é uma das melhores profissões que um mortal pode desejar. Fica-se milionário do dia para a noite, sem risco algum. Papai governo segura tudo. E ainda dá dinheiro a fundo perdido, para cobrir os rombos e as roubalheiras. Que República, heim?
NÃO SEREMOS ESTÁTUAS
O presidente do diretório estadual do PC do B, advogado Luiz Pingarilho, tem afirmado que seu partido irá, sim, influir nas conversas políticas, visando as eleições de 2010. Menos mal. Ele acha que ainda é cedo para algumas especulações eleitorais e também opiniões conclusivas sobre as possíveis alianças partidárias. Tem razão. Se os principais interessados na cocada do Setentrião – Pedro Paulo Dias (PP) e Jorge Amanajás (PSDB) – precipitarem essas alianças, alguém pode dar com a carroça no poste.
É interessante saber que o PC do B do deputado federal Evandro Milhomem, prepara-se para sentar à mesa com os demais partidos e promete não ficar lá na posição de estátua: imóvel, sem piscar, aceitando tudo. Negociar, dialogar, compreender são verbos bastante interessantes na hora das conversas políticas.
IMPRENSA IMPRENSADA
Ontem a noite, recebi um telefonema interessante. Um amigo de longa data – cujo nome omito, por questões de ética – dizia-me de sua decepção com o que tem lido, diariamente, nos jornais da capital. Ele acha – e compartilho de sua opinião – que nossos periódicos não têm conteúdo. As questões importantes do Estado, o debate de assuntos sérios e de interesse do povo, não frequentam as páginas dos jornais. Até as colunas, ditas políticas, são “uma água morna”, disse ele.
É conveniente asseverar que a mídia no Amapá, desde que Mendonça Furtado imprimia o seu “Pinzônia”, passou a ser atrelada ao poder, ou seja, ao governo. Hoje, praticamente nenhum jornal daqui fica fora da famosa listinha do palácio Setentrião. Verba mensal que a moçada recebe e, lógico, larga-se a bater palmas para qualquer espirrozinho que der o governo estadual. Ou não é assim?
Não tenhamos ilusões. Essa é uma situação quer tão cedo não terá remédio. Jornal verdadeiramente independente no Amapá, por enquanto, só no dia em que o sargento Garcia conseguir prender o Zorro.
MENTIR, MENTIR, MENTIR
Não bastassem os despistamentos em torno do tal encontro (negado de pés juntos pelo presidente Lula), entre a senhora Lina Vieira, ex-secretária da Receita Federal e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, as mentiras continuam. A oposição no Congresso, pretende solicitar as fitas do sistema de segurança do palácio do Planalto. Querem ver, dizem eles, coitados, se dona Lina esteve lá ou não. Não irão ver nada. Desde quando o SNI de Lula dorme de touca?
Mas, não é só. Numa tentativa solerte de mudar o curso dos holofotes, fala-se agora que Lina Vieira – ao tempo que era a manda-chuva na Receita – teria providenciado para atenuar (baixar) os valores das autuações fiscais. Pura balela um troço desses. Qualquer vira-lata de Brasília, anda cansado de saber que a autonomia administrativa desse tipo de burocrata federal, não chega a tanto. Se ela mandou baixar os valores das autuações, decerto recebeu ordens de cima, aquelas famosas “recomendações” dos superiores. Igual a que dona Lina recebeu da ministra Dilma, relativa a “apressar” o trâmite das papeladas fiscais envolvendo familiares e amigos do senador José Sarney. Ou não estamos na Bananolândia Brasil?