Publicado por: bonfa | 30/04/2009

A SAÚDE NA UTI

PEDRO PAULO NÃO É O PROBLEMA

      Um tanto cansado desse assunto, batido e repetido todos os dias na imprensa, vejo-me compelido a analisar outra vez o setor saúde do Amapá. Agora mesmo, o vice-governador e secretário estadual da Saúde, Pedro Paulo Dias (PP), encontra-se sob forte bombardeio, oriundo da Assembléia Legislativa e, é claro, dos seus adversários políticos. O deputado Manoel Brasil, por exemplo, não perde chance de desancar o secretário da Saúde, atribuindo-lhe a culpa pelas mazelas – hoje observadas no setor – problemas que vêm se arrastando de governos anteriores. Administradores que foram empurrando tudo com a barriga da mais deslavada incompetência. Governos que foram apoiados pelo próprio deputado Brasil, diga-se a bem da verdade.

      Não é só. O também deputado Dalto Martins (PMDB), vice-presidente da Assembléia, forma no quarteto de parlamentares que elegeram o doutor Pedro Paulo, há mais de 6 meses, um alvo preferencial de suas críticas e ataques verbais. No quarteto, também tocam a guitarra e a flauta das críticas, os deputados Camilo Capiberibe, Ruy Smith (ambos do PSB) e Moisés Souza (PSC). Quanto ao deputado Eider Pena (PDT), líder do governo Waldez Góes e que, em tese, deveria armar-se de sólidos argumentos para defender em plenário o secretário de Saúde, exibindo, por exemplo, os números do IBGE sobre o aumento explosivo da população da cidade. Eider, que tem pavio curto, não raro prefere ausentar-se de sua cadeira. Deixando o circo pegar fogo no bate-boca diário na Assembléia, que enche as páginas dos jornais no dia seguinte.

       O grande problema da Saúde no Amapá, não é e nem está concentrado no médico Pedro Paulo Dias. A coisa é mais séria e bem mais complexa em seus aspectos administrativo-gerenciais. Incluindo a falta de entrosamento entre os governos do Amapá e do Pará, estado de onde chegam a Macapá – dia e noite – contingentes expressivos de ilhéus paraenses em busca de assistência de saúde. Fluxo que só fez aumentar nos últimos cinco anos, levando ao quase colapso total do sistema de saúde amapaense.

      Outra questão – que não deve ser esquecida, nem colocada para debaixo do tapete das conveniências políticas em véspera de eleições – é a de que as metodologias utilizadas no sistema de saúde do Amapá, pecam pela desatualização. O sistema gerencial da secretaria estadual da Saúde é arcaico. Há inúmeros furos e ralos nos controles específicos, notadamente o financeiro. No maior hospital de pronto socorro, aliás, o único numa capital beirando, quase seguramente, os 500 mil habitantes, o registro de pacientes ainda é feito a mão. O pronto socorro, por incrível que pareça, tem apenas duas cadeiras de roda, para atender quem não puder entrar lá com seus próprios pés.

      Na outra ponta do sistema, tem-se um governo que passa a si mesmo um atestado de ineficiência notório, pelo fato de não achar a fórmula ideal de controlar o recebimento e a distribuição de remédios na central de medicamentos estadual. Outro dia, estava na diretoria da central de medicamentos um servidor da área policial e também fiscais oriundos da Justiça e Ministério Público. Nem assim, os problemas acabaram. Continuam faltando remédios nos postos de saúde da capital e interior.

    Ora, por várias razões – sobressaindo as jogadas políticas pelo controle do governo e do Estado, em 2010 – faz-se oportuno lançar nas costas do secretário de Saúde tudo o que for possível. Até mesmo as reclamações que usuários do sistema fazem no rádio e na televisão. Idéias, soluções viáveis a curto prazo e, quando menos, um esboço de um verdadeiro projeto de saúde para o Amapá, levando-se em conta outros fatores e gargalos do setor, ninguém teve conhecimento que algum deputado divulgou e defendeu. Atacar Pedro Paulo é mais fácil. Ele, de repente, poderá assumir o governo do Amapá (se Waldez Góes candidatar-se ao Senado em 2010), e consta que pretende utilizar a caneta e o Diário Oficial. Justamente para dar o troco àqueles que hoje o satanizam – quando deveriam ajudá-lo mais em nome de assistência de saúde mais aceitável, rápida e eficaz para o povo.   

PS -  Não tenho, nunca tive, nem pedi procuração do médico Pedro Paulo Dias, para defende-lo. Apenas, não posso assistir, calado e conivente, a esse festival de besteirol de deputados, e outros nem tanto, que desviam as atenções dos problemas principais da Saúde. Mais rebaixando do que elevando o nível do debate que se pretenderia fosse a tônica na Assembléia Legislativa. Somos um Estado pobre, ainda carente de tudo e dependurado nas verbas federais. Mas – sem dúvida alguma – produzindo toneladas de demagogia e cabotinismo político.


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