Publicado por: bonfa | 01/10/2009

RESUMOS DE QUINTA

         Na soturna caverna da política amapaense, a briga de foice pelo controle do governo – em 2010 – vai de vento em popa. Porque parece fato certo a saída do atual mandatário estadual, Waldez Góes (PDT), em meados de abril, a fim de candidatar-se a uma das duas vagas para o Senado. Se assim acontecer, o médico Pedro Paulo Dias (PP), assume a caneta e o Diário Oficial. Concorrendo ao governo na plenitude do poder.

 

CAFÉ DAS ESTRELAS 

    Quem quiser ficar literalmente por dentro das notícias e das coisas da política, recomendo o café da manhã do Macapá Hotel. Lá, um grupo seleto de jornalistas, empresários e políticos disseca os fatos do dia, comenta artigos dos jornais e, principalmente, procura atualizar as agendas.

     À cabeceira da mesa, o executivo-chefe da TV Bandeirantes do Amapá, Josiel Alcolumbre – entre um pedaço de melão e outro de queijo – vai habilmente dando o tom da orquestra. Ele é considerado um dos mais modernos empreendedores da TV local. 

BRIGALHADA PREMATURA 

     Conforme ocorre perto de ano político, os caciques partidários do Amapá – em conjunto e com bandeiras desfraldadas – acerta os ponteiros, antes das férias de final de ano. Todos ficam sabendo suas posições no jogo e, chegada a hora das decisões, tudo funciona mais ou menos harmonicamente.

      Porém, este ano, a briga de foice na soturna caverna da política amapaense, anda acesa. É quase favas contadas a saída do governador Waldez Góes (PDT), em meados de abril, para candidatar-se ao Senado da República. Mas, aqui reside o “Xis” da questão.

      Se ele sair – como se espera – assumirá a caneta e o Diário Oficial o médico e vice-governador Pedro Paulo Dias (PP), que poderá concorrer a governador do Estado, ainda na plenitude do cargo. Fantasma que ronda a cama dos dois mais notórios pretendentes ao governo, o deputado-presidente da Assembléia Legislativa, Jorge Amanajás (PSDB) e o ex-deputado Lucas Barreto (PTB). Essa disputa eu vou assistir de camarote. Bebericando meu contreau, pois não sou de ferro. 

VAZOU GERAL NO ENEM 

     O ministério da Educação, ontem, anunciou o cancelamento da prova do Enem. Dizem eles, em Brasília e no âmbito da Polícia Federal, que o gabarito da prova vazou para fontes jornalísticas do jornal O Estado de São Paulo. Mas, o que é que não vaza nesse país de brincadeiras? 

POR QUE TANTA PRESSA? 

    Ora, até compreende-se que os suplentes de Vereador – 7.709, em todo o país – estejam ávidos para estrear os paletós e tomar posse das novas cadeiras. O STF, no entanto, já mandou trombetear que as regras passam a valer, a partir de 2012, isto é, na próxima eleição municipal.

    Os pretendentes chiaram. Querem, porque querem tomar posse. Em Goiás, a Justiça mandou cancelar uma cerimônia. No interior de São Paulo, alguns municípios também ensaiaram dar posse aos suplentes, mas voltaram atrás e ficaram quietos.

     Como a pressa sempre é a pior inimiga da perfeição, acho que eles devem aguardar. O tempo passa rápido. 

AS DUAS OPÇÕES DO LUIZ 

    O conhecido jornalista e homem de TV Luiz Trindade, segundo circulou ontem nos meus ouvidos, estaria pronto para assinar ficha de filiação no PDT, para onde recebeu convite de um figurão emplumado do atual governo. Todavia, como Luiz não costuma dormir de touca e tem o hábito de acordar cedo, outro grupo partidário – desta vez do PC do B – também quer vê-lo em suas fileiras. Detalhe para quem não sabe: Luiz Trindade pode ser uma das grandes novidades na próxima campanha política, candidatando-se a deputado estadual. Já tem meu voto e mais um “balaiozinho” de simpatizantes, que eu controlo no bico do lápis. 

AZEVEDO SURPRESO 

    Azevedo Costa, prócer do PMDB local, ontem, ficou surpreso com a manchete de um jornal de Macapá. Nela, estampava-se esse negócio das supostamente nebulosas operações financeiras da empresa Eco Metals, no Amapá.

     Creio que Azevedo já deveria estar acostumado com o enredo da peça mineral amapaense. Todas as vezes em que aproxima-se uma eleição geral, surge esse tipo de denúncias. O caso é que algumas pessoas daqui, apesar das histórias que se conhece sobre o setor mineral do Estado, insistem em querer fazer das multinacionais – tipo a Eco Metals – joguete de interesses inconfessáveis. Aliás, não creio que essa empresa se preste a esse papel, nem se submeta a chantagens de quarquer tipo. Se está aqui, é porque o projeto é bom e deve ser interessante – economicamente falando - para o Estado.  

 

Publicado por: bonfa | 11/09/2009

PREPARANDO OS CANHÕES

         PARECE QUE O VICE-GOVERNADOR DO ESTADO, PEDRO PAULO DIAS – DE REPENTE – ACORDOU. HOJE, O PARTIDO POPULAR ACOLHEU EM SUAS FILEIRAS O DEPUTADO ESTADUAL EDINHO DUARTE (EX-PMDB) FUI CONVIDADO PELO MEU PREZADO AMIGO BENEDITO DIAS PARA A CERIMÔNIA E ESTIVE NA SEDE DO PP, PELA MANHÃ, DANDO O AR DE MINHA GRAÇA. FUI BEM RECEBIDO E CONVENIENTEMENTE PAPARICADO.

 

                         A GUERRA VAI SER BOA

                         O Partido Popular, há anos, vem tentando abrir caminhos políticos no Estado - aliás, em pé de igualdade com outras legendas, tipo PDT, PMDB, PSDB e PTB – quer influir nas eleições de 2010. Eles precisam correr contra o tempo. A legenda ainda nâo tem um chapão forte. Porém, o panorama pode mudar nos próximos dias. Hoje, numa conversa de pé-de-ouvido, o ex-deputado federal Badú Picanço garantiu-me que assinará a ficha do PP. Sairá a estadual. Outro que deve, digamos, “pepetizar”, é o ex-deputado federal e atual secretário municipal de Meio Ambinte, Eraldo Trindade.

                        Se o PP continuar assim, de fato, a guerra de 2010 vai ser boa. Edinho Duarte, fale-se o que se quiser dele, é um candidato politicamente influente e com inegável respaldo eleitoral. Sua trajetória na Assembléia Legislativa, pelo menos nesses duas últimas legislaturas, tem sido a de um político engajado na busca de soluções aos problemas do Estado. No PP, decerto puxará votos e ajudará a subida desse partido ao lugar que, há tempos, merece no concerto político estadual.                   

Publicado por: bonfa | 10/09/2009

ARTIGO DE HOJE

 

                                  A SÍNDROME DALVA

                                            Bonfim Salgado

 

     Não faz tempo, num desses aniversários pela cidade, seleto grupo de advogados e pessoas da sociedade debatiam um tema interessante: a futura performance do vice-governador Pedro Paulo Dias, caso assuma o Estado. Notei que esse assunto – como poucos – divide instantaneamente as opiniões.

    O velho ditado diz que gato escaldado tem medo de água fria. Deve ser verdade. Quem não conhece o vice-governador senão através da imagem pública que exibe, pode a priori cometer um erro palmar: julgá-lo no mesmo nível político da ex-governadora e deputada federal Dalva Figueiredo (PT). Vice de João Alberto Capiberibe (PSB), madame Dalva assumiu a plenitude do governo do Estado, naquele prazo fatal de abril. Exatamente quase nas mesmas circunstâncias agora colocadas à frente de Pedro Paulo Dias, em se tratando da possível substituição de Waldez Góes.

    No geral, não poderíamos dizer que madame Dalva fez um bom governo nos oito, nove meses de posse da caneta do poder e do Diário Oficial. Seu erro fatal – opinião compartilhada por muitas cabeças da política amapaense – foi não fazer a seleta prévia e sine qua non de sua assessoria direta. Mais cedo do que seria de esperar, as vaidades de vários secretários vieram à tona – e Dalva Figueiredo, em que pese suas boas intenções àquela época, submergiu nas ondas dos desencontros administrativos. A campanha dela ao governo, apenas refletiu o quanto pode ser perniciosa a pressão político-partidária – no caso, vinda do PT – e o descaso de muitos com um programa de ação que, fossem outras as variantes, bem poderia ter dado certo.

     Importa considerar que o atual vice-governador, por algumas razões específicas, não deve ser comparado com sua “ex-colega” de cargo. Cada eleição é diferente em suas nuances. O cenário do Amapá de hoje, por extensão óbvia, é outro. A política, por sua vez, evoluiu pouco, mas evoluiu. Lideranças se consolidaram e outros nomes, expressivos e influentes, apareceram em cena. A exemplo do deputado-presidente da Assembléia Legislativa, Jorge Amanajás (PSDB), candidato ao governo do Estado em 2010.

     Pedro Paulo Dias, quer me parecer, já está bastante crescidinho, para não prestar atenção no jogo cabotino da política do Amapá. Ele sabe que não deve hesitar e suas cartadas devem ser certeiras. Se necessário,  dar o troco àqueles que desejam vê-lo mal na secretaria estadual da Saúde. Setor problemático que ele tem demonstrado necessitar de novos padrões de organização e gestão.

     As grandes decisões que tomar – incluso o filtro de qualidade em sua assessoria – amaciarão o gramado para a partida de 2010. Sem esquecer a base eleitoral, o contato e acordos com lideranças da sociedade civil organizada. Se proceder assim, livra-se dos azarentos e Cassandras de plantão, aproveita o tempo de mandato temporário – e sai candidato ao governo do Estado, de cabeça erguida e empunhando um verdadeiro projeto para o Amapá do século 21.

Publicado por: bonfa | 09/09/2009

DILMA, DESTINO E JOGADAS

       PODE SER QUE VOCES NEM PRESTEM ATENÇÃO NOS FATOS. AFINAL, AS COISAS COSTUMAM MUDAR MUITO RÁPIDO DE APARÊNCIA NESSE BRASIL. PRINCIPALMENTE, NOS CONTRAFORTES DA POLÍTICA. MAS, ACESO QUE ESTÁ O DEBATE – PRECIPITADO A MEU VER – SOBRE A CANDIDATURA PRESIDENCIAL DA MINISTRA DILMA ROUSSEFF (CASA CIVIL), QUE FAZER? SÓ NOS RESTA ACOMPANHAR A BANDA. PARA QUE NOSSA ESCOLHA NAS URNAS, QUANDO MENOS, TENHA ALGUMA CONSISTÊNCIA.

 

                  CARTAS DO DESTINO

                  Nessas esquinas por aí, de vez em quando, deparamos com as ciganas. Quase fatalmente, elas portam suas cartas. Oferecendo-se para desvendar aspectos do nosso destino. A buena dicha (boa sorte) pode estar nos esperando, afinal. Contudo, no caso da ministra da Casa Civil, senhora Dilma Rousseff, nenhuma cigana passou no palácio do Planalto. Ela precisa cuidar-se, pois. E já veremos por que.

                 Ontem, saindo do caixão de formol onde hiberna, Orestes Quércia (PMDB), ex-governador de S. Paulo e ex-senador, abriu a boca e disse não haver acordo possível – para 2010 – com a candidata de Lula. Como sabe toda a gente, Quércia é uma espécie de Capi de Tutti Capi na política paulista, notadamente no PMDB. Fala o que quer, a hora que bem entende – e costuma ter platéia. É poderoso, rico, bem situado e, dizem lá, não costuma brincar em serviço.

                  Queira ou não, coitada, a senhora Rousseff terá de estudar seu destino, a partir de São Paulo. Se estiver mal nas pesquisas paulistas, os fados sempre aconselham o pretendente a ir procurar candidatura presidencial em outra freguesia ou em algum  planeta do sistema solar. Porque  sem São Paulo, ninguém vai a lugar nenhum na alta política nacional. José Serra que o diga.

                SEM OPÇÕES

                Na verdade, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, descontados  seus arroubos ufanistas – para inlgês e francês ver – encontra-se numa daquelas situações extremas, literalmente no mato sem cachorro e, pior, sem bússola. Não tem opções de nomes para lançar na disputa presidencial. Oito anos de mandato, para chegar ao fim do governo numa situação dessas. Ou será que, no apagar das úiltimas luzinhas, ele irá pegar algum Zé Dirceu da vida e lançar no fogaréu? Se fizer isso, o homem tá perdido.

              Mercadante e Suplicy, ambos de S. Paulo e senadores, andam arrufados com o governo. Mercadante tentando salvar as aparências de liderança no PT, Suplicy, cuidando para que o senador José Sarney saiba que o furdunço dos escândalos no Senado não deve, nem pode ir para baixo do tapete, sem mais aquela.

               DELENDA VICE

                Se não me falha a memória histórica, era Cícero, grande tribuno senatorial na Roma Antiga, quem iniciava seus discursos com a frase famosa: “Delenda Cartago.” Cartago deve ser destruída. De lá a esta parte, qualquer estudante que se preze sabe muito bem o que aconteceu com Cartago e seus habitantes.

               No Amapá e em sua política, anda acontecendo algo semelhante. Há gente interessada em destruir o vice-governador. Se possível, inviabilizar, previamente, suas pretensões de candidatar-se ao governo do Estado. Ora, respeitemos as proporções históricas e situemos os fatos amapaenses em sua devida medida de importância. Ocorre que, havendo quase inevitável necessidade de afastamento legal do governador Waldez Góes (PDT), em abril de 2010, para concorrer a uma das duas vagas para o Senado, deve assumir o governo o seu vice, o médico Pedro Paulo Dias (PP). Aqui reside a primeira questão.

              No geral e, disseram-me, também no particular, os dois – Waldez e Pedro Paulo – dão-se bem. Participam de reuniões e de inaugurações de escolas, podem ser vistos sorrindo em cerimônias diversas e mantém. aparentemente, um bom clima de relacionamento administrativo. As respectivas assessorias, ante a proximidade da eventual saída de Waldez Góes, é que andam se bicando. É o início da luta pelo poder. A demarcação de limites de quem pode mandar no futuro governo. O pessoal palaciano de hoje, a falta do que fazer de melhor, promove solertes boicotes a Pedro Paulo, que absorve as punhaladas e vai tocando seu futuro projeto. Aqui reside a segunda questão.

              Lógico, a turma de oposição – João Alberto Capiberibe e Cia. Ltda, e outros menos cotados - pacientemente aguarda o desfecho de abril (prazo eleitoral) e mais pacientemente ainda, coleciona munição para os palanques e panfletos, relacionando as falhas administrativas e políticas do governante atual. “Waldez que se cuide” – dizem. E Pedro Paulo? Delenda vice? Eu também diria “Pedro Paulo que também se cuide.” Aqui reside a terceira questão. 

               RESUMO DOS FATOS

               Primeiro, as eleições de 2010 não serão um passeio para ninguém. As duas vagas para o Senado, pelo menos até agora, não estão asseguradas para nenhum dos postulantes, inclusive o governador Waldez Góes. Considerando a agravante de que Waldez não pode dar-se ao luxo de perder esse bonde, é fácil deduzir a fervura de bastidores que deve estar acontecendo no atual governo. Não há mais tempo útil para nenhum projeto de médio ou longo prazo. O governador tem lá o seu portfólio de realizações a mostrar nos palanques e no horário eleitoral da TV. Os secretários estaduais, a maioria sem expressão político-administrativa, até o momento, continua dormitando em suas cadeiras. É aconselhável começar a arrumar as gavetas. Quem se destacou de alguma forma (raros), muito que bem; quem não conseguiu superar mediocridade e incompetência, prepare-se para o fatal mergulho no implacável poço de esquecimento público. É a vida.  

             Segundo, as assessorias de Waldez e Pedro Paulo, logicamente infiltradas por um tipinho de gente que nada tem a perder – sai governo, entra governo – promove o cenário de fim de festa. Quem está nos cargos, vai tratando de “eliminar” os concorrentes e, por que não?, os adversários. Quem aprecia o jogo do poder de fora, torce os dedos e aposta na queda de A, B e C, independente se o fulano ou fulana encontra-se no palácio Setentrião ou fora dele. Waldez, precisa preocupar-se com seu esquema de campanha senatorial; Pedro Paulo, pode e deve, o mais rápido possível, estabelecer as linhas-mestras, a rota do seu projeto. Listando  quem entrará ou não na canoa com ele. 

              Terceiro, a chamada oposição não está tão articulada assim. Muita água política ainda vem por aí. Além do fato que João Capiberibe (PSB), de repente, pode querer entornar a tigela de mingau quente, ameaçando candidatura ao governo do Estado. Cargo executivo para o qual ele sabe não ter condições de empalmar, por enquanto. O que ele almeja é retornar ao Senado. O que planta armadilhas e cascas de banana políticas no caminho dos senadores Gilvam Borges (PMDB) e Papaléo Paes (PSDB), ambos postulando uma das vagas para o Senado.

               Quanto ao fogo cerrado que pretendem lançar sobre as possíveis mazelas da administração Waldez Góes, nada de novidade. Qual foi o governador que não passou nesse inferno astral? No mais, acredito que Waldez deva sair do cargo com suas costas protegidas, o que significa um bom acordo político com o seu sucessor, justamente o médico Pedro Paulo Dias. Se isso não ocorrer, paciência. As cortinas podem desabar no meio da comédia e o cenário político amapaense quedará bastante incerto e confuso.

               

 

     

Publicado por: bonfa | 03/09/2009

A INTERNET NÃO TEM DONO

 

                                 A SUPREMA BURRICE

                                        Bonfim Salgado   

                                    Não faltava mais nada. O universo da política brasileira – paciente terminal acossado pelos        maiores absurdos e sandices – acaba de ganhar outra triste contribuição. No Congresso Nacional, instituição vivendo sob o chicote implacável da falta de credibilidade, desatualização, compadrio mercenário e mandonismo corrupto, deputados e senadores discutem os remendos da reforma eleitoral.

                                     Para desinformados e concordinos de todos os matizes, isso pode até parecer trabalho político. Tentativa verdadeira de dar rumos mais arejados e modernos, à caduca legislação eleitoral do país. Legislação draconiana em sua essência coercitiva e limitadora das liberdades de cidadania. Um amontoado de jurisdição, oportunista o corporativa que – há décadas – amordaça o debate legislativo-eleitoral e abate, sem remissão, os caminhos legais e princípios que já deveriam ter sido adotados, a fim de abrir as janelas do Parlamento aos ventos do século 21.  

                                     Na ânsia de proteger carcomidos feudos políticos – em todo o país, notadamente nas pobres e miseráveis regiões do Norte e Nordeste – além de escandalosos privilégios eleitorais e partidários, nossos políticos perderam o senso das proporções, o bom-senso e, o que é mais inaceitável, a oportunidade de oferecer ao país uma legislação eleitoral escoimada de seus vícios de origem. Ao contrário, mantendo o status quo das veredas por onde desfilam sua corrupção, sua compra descarada de votos, seu coronelismo de fancaria e sua impunidade, devem aprovar um texto de reforma eleitoral que já nasce com defeitos congênitos. Um monstrengo teratológico, dir-se-ia um novo Frankenstein eleitoral.

                                    O cúmulo do absurdo e da burrice mais elementar, diz respeito às limitações no uso da Internet, no período de eleições. Solerte tentativa de cercear o direito às liberdades de consciência e de opinião. À falta de melhor idéia, nossos legisladores querem, sem mais aquela, proibir que usemos a Internet! Francamente, em termos de colossal perda de tempo e vergonhosa palhaçada legislativa, essa merece o Oscar - sem louvor!  

Publicado por: bonfa | 03/09/2009

A POESIA DO DIA

 

              

                                D E U S

 

                                  Fernando Pessoa 

 

                                “Deus costuma usar a solidão

                                  para nos ensinar sobre a convivência.

 

                                 Às vezes, usa a raiva,

                                para que possamos compreender

                                O infinito valor da paz.

 

                               Outras vezes, usa o tédio,

                               quando quer nos mostrar a importancia da

                               aventura e do abandono.

 

                               Deus costuma usar o silêncio para nos

                               ensinar sobre a responsabilidade

                              do que dizemos.

 

                            Às vezes, usa o cansaço,

                            para que possamos compreender

                            o valor do despertar.

 

                            Outras vezes usa doença,

                            quando quer nos mostrar

                            a importancia da saúde.

 

                          Deus costuma usar o fogo, para nos ensinar

                          sobre água.

 

                         Às vezes, usa a terra,

                         para que possamos compreender o valor do ar.

 

                         Outras vezes usa a morte,

                         quando quer nos mostrar

                         a importância da vida.”

 

 

 

Publicado por: bonfa | 01/09/2009

CASAS, ALMAS VENDIDAS E DESMATAMENTO

                          O Brasil torna-se um país complicado. Não pelas suas ainda enormes potencialidades sócio-econômicas, mas pela gentalha que nos governa – e cavalga. Voces já prestaram atenção em que nível se encontra a discussão política nacional? O Senado, parece que nem existe. Os grandes projetos, parados. Ninguém fala coisa com coisa. Alienação que não promete nada de bom para o day-after (pós-Lula), quando um novo presidente da República adentrar o palácio do Planalto.                         

 

                        A SALVAÇÃO DO PRÉ-SAL 

                       A moda é comentar sobre as apregoadas virtudes do pré-sal. Bom, torna-se alvissareira a notícia de que o Brasil – pelo menos nos próximos 20 anos – não terá muitos problemas com o abastecimento de petróleo. Mas, nesse último quartel do governo Lula, a propaganda ufanista e aquelas mensagens, para continuar engabelando desavisados investidores, continuam de vento em popa. Os lucros da exploração das jazidas petrolíferas do pré-sal, ledo engano, não irão servir logo a objetivos sociais.

                       Há lobby fortíssimo contrário a isso. Até porque a grande discussão desse assunto passará longe da patuléia que paga seus impostos e sustenta as brincadeiras de Lula e seus “miquinhos” amestrados do PT. Por enquanto, Lula e dona Dilma precisam de discurso, demagogia e platéia. Afinal, 2010 está chegando. 

                   META SURREALISTA

                   Enquanto isso, a mentira – de tanto ser batida e repetida – findará virando verdade. Trata-se da possível projeção do crescimento do PIB nacional, ano que vem. Aliás, já andei comentando isso. O número do governo federal é uma taxa de 4,5%.  O que eu duvido acontecer. Não há economista sério que concorde com esse absurdo. Os EUA estão há 19 meses na taca. A União Européia debate-se com as mais altas taxas de desemprego dos últimos 20 anos. Todos os países produtores e tradicionais exportadores encontram-se com o pé no freio. Por que o milagre só iria acontecer no Brasil e ainda mais no governo Lula?

                  O desemprego ronda a classe trabalhista brasileira, as empresas encolhem e cortam custos e investimentos. Os grandes oligopólios, por sua vez, reescalonam seus investimentos, demitem diretores e renegociam suas dívidas bancárias. Alguns apelam à fusão com outras empresas, a fim de continuar no mercado. Viram o exemplo da Sadia e da Perdigão? Até empresa aérea (Gol)  já está cobrando o lanche servido a bordo dos aviões! E isso é reflexo de quê? De crise braba, é claro. Por essas e outras, é inviável o Brasil crescer quase 5% num ano – quando a conjuntura mundial, a passos lentos, emerge de uma crise financeira sem precedentes.

                  CARRO-CHEFE DE CAMPANHA

                  O governo federal irá destinar a bagatela de R$ 10 bilhões para o programa nacional da habitação. Por que somente agora essa dinheirama foi reservada para construir casas populares? Lula não ficou oito anos no poder? Esse negócio está cheirando a tapete para enganar os trouxas, visando a próxima campanha eleitoral. Ocasião em que o barbudo presidente deverá vender a alma, a dele e a de quem estiver por perto, tentando eleger a ministra Dilma Rousseff para sucedê-lo.

                  HAJA DESMATAMENTO

                  Diz aí o Imazon – ONG que controla o desmatamento na Amazônia – que no mes de julho passado tivemos 836 KM. quadrados de desmatamento na região, comparado ao mesmo período de 2008, quando a derrubada da floresta atingiu 276 KM. quadrados. Aumento por volta de 95%, em julho.

                  Aliás, ainda não se fez nenhum programa federal, destinado a promover e desenvolver o homem amazônida. Os projetos só focam as grandes empresas e os projetos faraônicos, muitos dos quais nem saem do papel.

                   POLÍTICA DOS ASSENTAMENTOS

                   Esta semana, andei vasculhando o interior do Estado. Objetivo: dar uma olhada nos assentamentos do Incra, são 324 comunidades agrícolas (incluso assentamentos) no Amapá.. Não gostei do que vi. O desânimo dos produtores é geral. Há gente simplesmente largada à própria sorte. E é bem difícil encontrar nos assentamentos o chamado ” pessoal original” – aqueles que primeiro receberam os lotes. A maioria já sumiu e passou em frente as propeiedades.

                   É preciso dar um choque de gestão, administração geral e produção nesses assentamentos. Para que essa história de agricultura familiar no Amapá, mel na boca de muitos políticos do asfalto, realmente possa dar certo. Por enquanto, é só. 

                   AUMENTO AOS BARNABÉS

                   Em meio às histórias da produção no pré-sal, murmura-se que o governo Lula – e seria estranho isso não acontecer – prepara um agradozinho para os contracheques dos barnabés federais. Mnos mal, como diz um advogado amigo meu.

                    PODE DAR ZEBRA

                    O cronograma das obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), poderá cair na vala da amargura, brevemente. A tal reforma eleitoral, uns remendos que os congressistas arranjaram – em mancebia com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), não irá resolver as inúmeras pendengas partidárias, muito menos eliminar essa legislação eleitoral caduca e cheia de teias de aranha. A zebra pode dar uns coices no PAC, proibindo divulgação de inaugurações de obras, a partir de abril, mes fatal para os prazos eleitorais.

                   Proibir divulgação pela Internet, por exemplo, é o fim da picada. Uma burrice do tamanho do Evereste. É só liberar a cobrança da propaganda e dos anúncios. O que já deviam ter feito, se a coisa fosse tratatada da maneira devida, era apertar as tramelas nas leis, a fim de que fosse mais difícil qualquer Zé-das-Couves – deslumbrado e cheio de falso messianismo – conseguir registrar um novo partido político. Que ele coloca numa parta debaixo do sovaco – e sai por aí a descobrir a pólvora e a fórmula da bomba atômica.

                  CAFÉ FRIO

                 Um personagem muito bem situado nos meandros do poder estadual, garantiu-me sábado passado: já estão servindo café frio na sala de trabalho do governador Waldez Góes (PDT). Mas, onde a novidade? Todas as vezes que essa turma sente que o governante encontra-se prestes a sair, começam a acontecer silenciosos  boicotes. Funcionário – e ainda mais palaciano –  é assim mesmo. Rei morto, rei posto. 

                Waldez – que não pode perder o bonde da candidatura ao Senado em 2010 – terá que passar a caneta e o Diário Oficial ao seu vice, médico Pedro Paulo (PP), no mes de abril. Se não sair, perde o prazo eleitoral. Fazendo com que o cenário político local dê uma guinada de 180 graus. 

                  COMEÇOU A BATALHA

                  A disputa por espaço político, cujo objetivo é formar os blocos para 2010, já está nas ruas. Alguns grupos políticos locais, andam rangendo os dentes, mutuamente. Agora mesmo, talvez devido a falhas na comunicação das respectivas assessorias, houve chega-prá-lá no Laranjal do Jari, envolvendo o senador Gilvam Borges (PMDB) e o governador Waldez Góes (PDT). Felizmente, serenados os ânimos e afastada aquela turminha contumaz do “quanto pior, melhor”, prevaleceu o diálogo e o bom-senso.

                  Em política, é grande o valor da conversa e do entendimento. 

                  A questão é que teremos de eleger um novo governador, dois senadores e oito deputados federais. Sem contar os 24 deputados estaduais.

                 INVASÕES VOLTAM À MODA

                 Em Macapá,  começaram a pipocar as invasões de imóveis urbanos. Há pelo menos um mes esse problema está nas manchetes dos jornais e na TV. Agora, ante a proximidade de novo ano político, ficará extremamente complicado, para não dizer quase impossível, controlar essas ocupações de terrenos vazios.

                 É só lembrar o que ocorreu pouco antes das últimas eleições municipais. Quando nenhum potencial candidato nem sonhava em ficar contra as invasões. Voto é voto. O resto, é pura demagogia eleitoreira.                    

Publicado por: bonfa | 28/08/2009

BANCOS, POLÍTICA E TRUQUES

             Pode parecer ironia, mas o presidente Lula da Silva, evidentemente com o poder a tirar-lhe a serenidade, acaba de declarar sua decepção com o que classificou de “pequenez” da política. Convenhamos, pequenez que ele mesmo tem ajudado a perpetuar.  Inclusive, no melhor estilo do bigodudo Jânio Quadros (ex-presidente que renunciou), Lula também agora fala em “forças ocultas”. Meu Deus! Estaria o presidente frequentando terreiros de macumba?  O Brasil político não é um país agradável. Cheira mal.

 

                     PEQUENEZ DE QUEM?

                     Nestes tempos de escândalos colocados debaixo do tapete das mil e uma impunidades, o que dizer? O Senado da República, a certas horas, mais parece uma reunião de colegiais irresponsáveis. Não passa a imagem de uma instituição séria. Uma casa comprometida com as grandes questões da nacionalidade brasileira. Para desembocar nessas pesquisas que estão fazendo por aí, onde espelha-se em gênero, número e grau o nível de decepção de todos nós, para com a classe política.

                  Há muita coisa e muito trabalho a fazer no Brasil de hoje. Os problemas sociais – alguns gravíssimos, como o sucateamento da assistência à saúde e a falta de políticas para idosos e jovens – fazem com que o país, não raro, iguale-se àquelas republiquetas africanas de baixo nível. Justamente, porque se o atual governo obteve relativo êxito em domar – em parte – a sanha especulativa e a economia, por outro lado, tem recebido nota Zero em termos de resolução dos problemas que mais afligem a população: segurança, desemprego, acesso à educação básica (elementar), e distribuição mais equitativa de renda.

                   O assistencialismo emergencial que temos, via Bolsa Família e programas assemelhados, inclusive nos Estados, um belo dia vai estourar o balão. O índice de aumento de população (natalidade), será o primeiro item a derrubar essa pantomima assistencialista. Ações que, de fato, apenas minorar a curtíssimo prazo as carências e sofrimentos de milhões de brasileiros. E o day-after, como será?

                 MAIS VEREADORES

                 A Câmara dos Deputados, ontem, deu mais um empurrão no rumo da aprovação definitiva da chamada PEC dos Vereadores. Não demora, mais 8.043  senhores e senhoras, convenientemente ataviados e perfumados, estarão assumindo suas cadeiras nas casas legislativas municipais em todo o Brasil.

                  Para quê?  Ora, apenas cumprir a velha sina da política nacional: arranjar o maior número possível de vagas na área política, para o igualmente maior número de futuros demagogos e mentirosos. Com as devidas e raras exceções, é claro.

                 CONTAS PÚBLICAS

                  Esse senhor, Mantega, ministro da Fazenda, nunca me enganou. Aquela cara que ele exibe na televisão – nunca o vi pessoalmente, nem quero – dá-me a dimensão exata do mentiroso contumaz. É um Tartufo de paletó e gravata. Pois bem. Já anunciou-se, esta semana, que as contas públicas (principalmente obrigações financeiras e outros gastos inadiáveis do governo), ficaram abaixo da média, em julho. Dizem os “iluminados” do ministério da Fazenda que é o pior resultado no setor, desde 2001. Quem quiser que tire suas conclusões. Lembrando que o mesmíssimo cidadão, Mantega, andava boquejando outro dia que o Brasil cresceria pelo menos 3,5% no PIB em 2010. Desse jeito? Só se for para crescer como rabo de cavalo, para baixo.

                 SAÍDAS PELA TANGENTE

                 O senador José Sarney (PMDB/AP), presidente do Senado e do Congresso, anda perdendo o senso de medidas – e de prudência. Acossado pelos cães de caça da oposição – que remexeram nas entranhas mal-cheirosas de sua vida política “secreta”  - agora arranjou fórmula sui generis, para resolver a crise onde está a debatar-se: deixar com o Supremo Tribunal Federal (STF), as eventuais  cassações dos mandatos parlamentares. Seria cômico, uma piada muito inoportuna, se o caso não fosse tão sério.

                  A primeira pergunta que se impõe é a seguinte:  se assim for, para onde irá a constitucional separação dos Poderes da República? Se qualquer assunto senatorial, quando explodir em crise, passar a ser objeto de canetadas no STF, para quê existe o Senado e sua caríssima estrutura administrativo-funcional? Se os nobilíssimos  Senadores, após seus bate-bocas demagógicos - para engabelar a patuléia desinformada – transferirem aos togados do STF as suas pendengas, no mínimo estarão lavando as mãos para o povo, que os elege e paga os excessos e mordomias.    

                 Esse tipo de saída pela tangente, a fim de desviar a atenção do cerne e da fervura dos problemas, é técnica de poder utilizada pelos homens públicos, políticos principalmente, que passam a negar – olhos esbugalhados de indignação, tudo aquilo que jogam-lhes em cima. As evidências podem estar à vista de todos, mais o acusado – como habilmente tem feito o senador Sarney – continua impassível, negando tudo, transformando-se em pobre vítima de “falsas acusações” e “perseguições políticas”.  O truque é velho. 

               REPÚBLICAS MUITO DIFERENTES

               Nos Estados Unidos, nada menos que 416 bancos encontram-se perto da falência. São herdeiros da crise, que se alastrou no sistema financeiro mundial. Mas, o que acontece nos EUA, é diferente, muito diferente, das coisas que ocorrem no sistema bancário no Brasil. Aqui, o Banco Central cerca-se de cuidados extremos com as taxas de juros. Para mantê-las, se possível, em altos patamares, a fim de suprir a sanha dos grandes especuladores internacionais. Os verdadeiros credores do país. Se baixam demais os juros, o capital volátil – altamente especulativo – toma outros rumos. Estouram as bolha artificiais das Bolsas de valores (Rio e São Paulo),  e as ações vão pro beleléu. 

              No Brasil, o governo e os banqueiros, em comandita,  sempre “ socializam” o prejuízo dos bancos particulares, mas nunca “dividem”, e muito menos particularizam os lucros bilionários que eles auferem da população. Ser banqueiro, por aqui, é uma das melhores profissões que um mortal pode desejar. Fica-se milionário do dia para a noite, sem risco algum. Papai governo segura tudo. E ainda dá dinheiro a fundo perdido, para cobrir os rombos e as roubalheiras. Que República, heim?

                NÃO SEREMOS ESTÁTUAS

                O presidente do diretório estadual do PC do B, advogado Luiz Pingarilho, tem afirmado que seu partido irá, sim, influir nas conversas políticas, visando as eleições de 2010. Menos mal. Ele acha que ainda é cedo para algumas especulações eleitorais e também opiniões conclusivas sobre as possíveis alianças partidárias. Tem razão. Se os principais interessados na cocada do Setentrião – Pedro Paulo Dias (PP) e Jorge Amanajás (PSDB) – precipitarem essas alianças, alguém pode dar com a carroça no poste.

              É interessante saber que o PC do B  do deputado federal Evandro Milhomem, prepara-se para sentar à mesa com os demais partidos e promete não ficar lá na posição de estátua: imóvel, sem piscar, aceitando tudo. Negociar, dialogar, compreender são verbos bastante interessantes na hora das conversas políticas. 

                IMPRENSA IMPRENSADA

               Ontem a noite, recebi um telefonema interessante. Um amigo de longa data – cujo nome omito, por questões de ética – dizia-me de sua decepção com o que tem lido, diariamente, nos jornais da capital. Ele acha – e compartilho de sua opinião – que nossos periódicos não têm conteúdo. As questões importantes do Estado, o debate de assuntos sérios e de interesse do povo, não frequentam as páginas dos jornais. Até as colunas, ditas políticas, são “uma água morna”, disse ele. 

             É conveniente asseverar que a mídia no Amapá, desde que Mendonça Furtado imprimia o seu “Pinzônia”, passou a ser atrelada ao poder, ou seja, ao governo. Hoje, praticamente nenhum jornal daqui fica fora da famosa listinha do palácio Setentrião. Verba mensal que a moçada recebe e, lógico, larga-se a bater palmas para qualquer espirrozinho que der o governo estadual. Ou não é assim? 

             Não tenhamos ilusões. Essa é uma situação quer tão cedo não terá remédio. Jornal verdadeiramente independente no Amapá, por enquanto, só no dia em que o sargento Garcia conseguir prender o Zorro.

              MENTIR, MENTIR, MENTIR

               Não bastassem os despistamentos em torno do tal encontro (negado de pés juntos pelo presidente Lula), entre a senhora Lina Vieira, ex-secretária da Receita Federal e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, as mentiras continuam. A oposição no Congresso, pretende solicitar as fitas do sistema de segurança do palácio do Planalto. Querem ver, dizem eles, coitados, se dona Lina esteve lá ou não. Não irão ver nada. Desde quando o SNI de Lula dorme de touca?

           Mas, não é só. Numa tentativa solerte de mudar o curso dos holofotes, fala-se agora que Lina Vieira – ao tempo que era a manda-chuva na Receita – teria providenciado para atenuar (baixar) os valores das autuações fiscais. Pura balela um troço desses. Qualquer vira-lata de Brasília, anda cansado de saber que a autonomia administrativa desse tipo de burocrata federal, não chega a tanto. Se ela mandou baixar os valores das autuações, decerto recebeu ordens de cima, aquelas famosas “recomendações” dos superiores. Igual a que dona Lina recebeu da ministra Dilma, relativa a “apressar” o trâmite das papeladas fiscais envolvendo familiares e amigos do senador José Sarney. Ou não estamos na Bananolândia Brasil?  

               

              

             

Publicado por: bonfa | 20/08/2009

ÓPERA, HIPOCRISIAS E BESTEIROL

 

                O CURIOSO PAÍS BRASIL               

                               Bonfim Salgado 

 

                                                 “Na política, nada acontece por acidente.

                                                   Se acontece, pode apostar que foi planejado

                                                  para ser deste modo.”    

                                                   (Roosevelt)                                               

 

             Tenho sido teimoso. Mantendo o hábito de plantar-me à frente dos canais de notícias da TV. Para assistir a mixórdia revoltante em que se transformou a política no Brasil. Na verdade, há horas em que a gente até duvida que os homens que elegemos para nos representar e defender nossos interesses, de fato, estejam agindo de maneira tão rasteira, sórdida e hipócrita.

             Ontem, perguntaram-me o que achava desse novelo – ou novela? – do chamado “caso Sarney”. Respondi que não tenho nenhuma opinião formada. As únicas coisas que sei, por enquanto, são que as leis precisam – e devem – valer para todos. Para qualquer cidadão que cometer ilícitos, principalmente quando digam respeito à coisa pública. A história dos “Sarneys”, no Maranhão, é bastante conhecida e cheia de fatos políticos questionáveis, para que tenhamos ilusões sobre o modus operandi dos seus integrantes. A mais, o senador José Sarney perdeu a grande chance de descer do bonde, talvez por excessivo gosto do poder. Acostumou-se à ribalta política e aí estão as conseqüências: a exposição pública mal-cheirosa das entranhas e patranhas de filhos e netos, encastelados no Senado da República.

              Nesses dias, chamou-me a atenção a sistemática, estranha e muito suspeita forma com que o governo Lula da Silva – fazendo valer um rol de despistamentos e mentiras – tenta manter blindada a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Sabe-se que a ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, teria recebido da ministra “instruções”, pessoais, para apressar os processos dos Sarneys na Receita. Entendendo-se isso como um quase formal pedido para “engavetar” a papelada comprometedora. Dilma negou o encontro, a senhora Lina foi ao Senado, disse que o encontro realizou-se e ficou uma palavra contra a outra.

              Hoje, informa-se que demitiu-se o motorista do ministério da Fazenda que levou dona Lina ao palácio do Planalto. O que há? Querem destruir as provas do tal encontro? Isso lembra aquele caso do ex-ministro Antonio Palloci, apanhado em encontros suspeitos na calada da noite e que mandou quebrar o sigilo bancário do caseiro da famosa mansão em São Paulo.

             Agora, tudo gira em torno das próximas eleições em 2010. A ex-ministra Marina Silva saiu do amado e idolatrado PT – assim como irá fazer o senador Arns – e firmará mancebia com o Partido Verde. Ciro Gomes afirma não querer nada com candidaturas ao governo de São Paulo. O senador Mercadante, atrás daqueles vistosos bigodes, ameaça também entregar a liderança do PT no Senado.

O presidente Lula, como sempre, deita a dizer bobagens sobre a economia, inclusive a internacional, coisa da qual ele entende tanto quanto nós de bomba atômica.

            A impressão que tenho é a de que o Brasil, a cada dia, parece mais uma ópera-bufa, uma pintura com monumentais toques de surrealismo. O país faz doação milionária para ajudar a reconstrução da Faixa de Gaza (Palestina), e milhares de crianças brasileiras, jogadas naqueles rincões de miséria e fome do Nordeste e Norte, estão há cinco meses sem receber merenda escolar decente. Falar nisso, engavetados os processos e denúncias , o presidente do Senado já anunciou que as coisas passam a entrar na normalidade. Ele aposta em nossa proverbial memória curta. Assim como os marqueteiros do governo federal, que tentam mudar a imagem da ministra Dilma Rousseff, mimetizando-a de mãe do PAC para mãe da casa própria.  Sim, no Brasil, mais que nunca, os fins políticos mal explicados justificam os meios nebulosos para atingi-los. Dizer mais o quê?       

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                   PREPAREM OS BOLSOS

                   Francamente, isso parece até brincadeira. O PMDB e o PT, naquelas conhecidas manobras de bastidores, preparam o regresso, triunfante, da famosa CPMF. Desta vez, renovada e disfarçada, a fim de espicaçar, roubar e tosquiar ainda mais os contribuintes brasileiros. Por que não aumentam os impostos sobre os exorbitantes lucros dos bancos privados no Brasil? Por que os ricos continuam dando risadas e os pobres a pagar os maiores impostos, sem direito a comprar comida para subsistir? Bandalheira.

                   REFORMA POLÍTICA

                  Até o momento, quem falou de modo mais explícito e claro sobre a propalada – e custosa – reforma política, que se arrasta há anos, foi o senador Garibaldi Alves (PMDB/RN). Sem meias palavras, ele colocou muito bem que as eleições de 2010, ao contrário das expectativas, ainda serão regidas por uma espécie de “reforma política meia-sola”. Puro besteirol. É o que penso. Os legisladores e a justiça eleitoral estão perdendo tempo, tentando censurar a Internet, os Blogs e e-mails, esquecidos das questões mais substantivas da política nacional, por exemplo a fidelidade partidária, a desorganização das legendas e o controle sobre os abusos financeiros nas eleições.   

                  BLÁ-BLÁ-BLÁ VISCOSO

                  Na terça-feira passada, eis que assisto ao viscoso discurso do deputado federal Ronaldo Caiado, um dos líderes maiores da chamada bancada ruralista no Congresso. Dedo em riste, olhos arregalados, atacava sem piedade o governo Lula e, principalmente, o INCRA. Para ele, é preciso mudar, urgente, os sistema de produção agrícola do país e, se possível, acabar de vez com os assentamentos, diz ele um dos defeitos mais graves da atual administração federal. Ora, creio que a solução não é “acabar ou extinguir”, como querem alguns, o INCRA. O problema é mais sério. E passa também pela reciclagem geral e valorização funcional dos técnicos dessa autarquia, hoje desmotivados com as contantes trocas de ministros da Agricultura e políticas agrárias desencontradas. Por isso, anda aí o MST, barbarizando e invadindo propriedades produtivas. Sem que ninguém tenha moral suficiente para enquadrar esses “terroristas do campo” nas malhas da lei. Aqui, eu perguntaria ao nobilíssimo deputado Caiado: acabar com o INCRA vai resolver o quê, afinal?    

                  

             

 

Publicado por: bonfa | 10/08/2009

SENADO, PETROBRÁS E O PIB

SERÁ QUE O VELHO MACUNAÍMA TINHA MESMO RAZÃO? DESSE JEITO, EM  QUE TIPO DE PAÍS IRÁ TRANSFORMAR-SE O BRASIL, CAVALGADO, SANGRADO E EXPLORADO POR ESSES CANALHAS QUE AÍ ESTÃO? AVANÇANDO FEITO SANGUESSUGAS NOS COFRES PÚBLICOS ? QUE PÉSSIMO EXEMPLO ESTAMOS DEIXANDO PARA OS NOSSOS FILHOS E  NETOS?!

   

 A DOIRADA BOCA DE FUMO 

     Incrível. O Congresso Nacional, mais precisamente o Senado, chegou ao fundo do poço. Semana passada, naquela sessão em que o senador Renan Calheiros (PMDB/AL), chamou seu colega Tasso Jereissati (PSDB/CE) de “Coronel de merda”, recebendo de Tasso a resposta “Cangaceiro de terceira categoria”, o que mais pode-se esperar dos excelentíssimos? À frente da TV, passei parte da tarde a indagar-me se aquilo que eu estava vendo – ao vivo e em cores – era, de fato, o Senado do meu país. Lamentável. Mil vezes lamentável.

      Dando razão àquele trecho de um artigo, publicado no jornal Folha de S. Paulo, reproduzido no Blog do Josias, neste final de semana: “Mas, se Duque (pte. da Comissão de Ética), fosse mais delegado e menos soldado, o plenário do Senado talvez não precisasse assumir as vezes de sucursal de boca de fumo do morro do Alemão.”  E então, como ficamos, depois dessa?  Num país mais sério, promotores de Justiça e juízes com “J” maíusculo, já teriam dado um fim à essa palhaçada. E enchido de engravatados algumas celas de cadeia.

OS SUJOS JULGANDO OS ESFARRAPADOS 

    Fosse pouco, sabe-se que um terço dos senadores (27 entre os 81), é alvo de inquéritos ou ações diversas na Justiça. É bem o caso dos sujos a tentar julgar os mal lavados. Na própria comissão de Ética do Senado – onde o governo tem maioria – há senadores que não deviam estar lá, arrotando seus perdigotos, desfilando suas mais que evidentes vaidades na TV Senado. Aquelas cadeiras, isto sim, bem que poderiam ser ocupadas por um outro tipo de gente. Cidadãos brasileiros que ainda sabem o que é caráter, trabalho honesto e vergonha na cara. 

SEGUREM SUAS CARTEIRAS NO BOLSO! 

    Para engrossar o rol de bandalheiras com o dinheiro público e abusar mais da paciência dos contribuintes, o ministro da Fazenda, senhor Guido Mantega – com aquela cara de múmia recém-saída do sarcófago – anuncia que o governo Lula (e quem mais poderia ser?), concederá uma espécie de Bolsa Crédito de R$ 220 bilhões aos exportadores. Ora, o calote deles (intencional ou consentido), anda na casa dos R$ 20 bilhões, inscritos na tal dívida pública da União. Eles não pagam, o governo não lhes cobra, não os enquadra devidamente e, agora, vai dar-lhes mais R$ 22 bilhões. Onde acharemos país melhor para a festança de ladrões, sonegadores e patifes de todas as cores e matizes? Que República!  

AS MENTIRAS PARA A PATULÉIA 

   Alguém aí falou no ministro da Fazenda? Ele, há umas duas semanas, andou boquejando que o Brasil, pasmem, poderá crescer 5% em 2010. Só se for tipo rabo de cavalo, para baixo. Vejamos: hoje, acabo de ler que a produção de veículos despencou 50% em julho. Enquanto outros bens e serviços (exportáveis), cresceram apenas minguados 6,5% na primeira semana de agosto. Querem mais?

   Pois bem. As vendas no comércio varejista (tradicional empregador de mão-de-obra no país), não passaram de 8% no último semestre. Mais adiante, anunciaram que 70% das ações de empresas estreantes nas Bolsas de Valores do Rio e São Paulo, perderam valor e não têm chance de recuperar-se nos próximos meses.

    Ninguém precisa entender de economês, nem realizar cálculos aritméticos complicados, para constatar que esse – na verdade – não é um país que ira crescer 5% do seu PIB, em 2010.

     Por enquanto, haja saco para aturar a mentirada oficial e oficiosa, dirigida à patuléia brasileira, aqueles que pagam impostos e sustentam essa farra do governo Lula da Silva.  Igual aos aposentados da nação, que irão receber mirrados 7% de aumento em janeiro de 2010. Como se isso fosse um prêmio dos maiores!

QUEM TEM MEDO DA PETROBRÁS? 

    Pelo balançar da carroça de jerimuns – como diz o senador Gilvam Borges – essa CPI da Petrobrás, se não tomarmos cuidado, irá transformar-se numa monumental “pizza com recheio de marmelada” (frase usual do apresentador de TV Bóris Casoy).

     Para ser franco, assisti pela TV Senado a duas sessões da comissão e não gostei nadinha do encaminhamento das coisas. Pareceu-me um festival de empulhação e hipocrisia. O relator, senador Romero Jucá  – quando menos – é um excelente escamoteador. Disposto a cumprir seu triste papel nessa CPI: virar o barco na direção do “nada consta”, para tudo continuar debaixo dos panos, como quer o governo.

    Aliás, o nobilíssimo está na profissão errada. Devia ser mágico de circo. Também lhe cairia como luva algo parecido àquele negócio de entortar talheres do famoso Uri Geller (?)

    Quem tem medo da Petrobrás? Por que não mexer nessa, até agora, intocável caixa-preta? Por que não começam comparando os gastos com contratos especiais, pagamentos a ONGs. no país e fora dele, acordos internacionais para explorar petróleo em águas profundas, acordos bilionários, não bem explicados e muito menos fiscalizados com a indústria naval, e benesses mais que suspeitas dadas à grande mídia no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e no do atual presidente, Lula da Silva?

NO MOMENTO CERTO

      Lembrei-me de uma “cobrança” que me fizeram alguns amigos: que eu estava sem comentar quase nada do Estado do Amapá, neste Blog. Ora, meus caros, sentem-se por aí e aguardem. Tenho um caderno repleto de anotações sobre o governo do Estado, a sócio-economia, a política e por aí a fora. No momento certo, abrirei a bocarra dos canhões. Com a vantagem – e liberdade – de não estar à soldo, nem atrelado a ninguém, nem a grupos, nem a grupelhos locais. 

 

 

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