Publicado por: bonfa | 09/07/2009

QUE SENADO E QUE REPÚBLICA!

     

                      A REPÚBLICA DOS INOCENTES

                                   Bonfim Salgado

 

       Rezam as convenções que ninguém deve ser considerado culpado de nada, até que o caso tenha passado nas malhas da justiça e pela sentença de um juiz. Lembrei disso a propósito dessa esteira de escândalos dos últimos dias, notadamente envolvendo figuras, figurinhas e figurões do Senado da República.

      De fato, tenho a impressão que nenhum parlamentar sério, competente – e cônscio dos seus deveres éticos e morais – deseja ver o circo pegar fogo e jogar mais lama naquelas vistosas cadeiras azuis do plenário. Se o presidente deles, senador José Sarney (PMDB/AP), foi apanhado no olho do furacão – quando descobriu-se que oito membros de sua parentela estavam nas folhas de pagamento e gozando de doiradas mordomias – o que fazer? A lógica dos fatos indica que isso nunca deveria merecer tanta publicidade, pois não é diferente, nem pior, nem melhor do que as milhares de falcatruas, nomeações e brincadeiras com o dinheiro público que ocorrem, há décadas, nesse país.

     O remédio é claro e o receituário conhecido: uma auditoria interna no Senado – feita por instituição independente – um relatório profissional o isento, a fim de que as exonerações e punições respectivas pudessem seguir o curso da lei. Sem o blá-blá-blá corporativo e a perda de tempo de comissões que nada resolvem, apostando na memória curta dos brasileiros. Comissões de fancaria, que findam esgotando a nossa combalida paciência.

     Parte da chamada base governista, em comandita e compasso, barganhando o adiamento da CPI da Petrobrás, lançou-se na defesa do senador José Sarney, que preferiu – por quase um mês inteiro – adotar a tática do avestruz, ou seja, esconder a cabeça e deixar à vista o resto do corpo. Sabe-se que Sarney, acossado pelas denúncias de nepotismo e compadrios diversos no Senado e no governo federal, recolheu-se em copas. Inclusive, evitando a imprensa. Como é óbvio, ficou sem condições de presidir a sessão senatorial. Fato que ninguém supunha iria acontecer tão cedo, tisnando indelevelmente de negro a sua farta e conhecida biografia política.

     A questão do Senado, é claro, não se resume aos parentes do senador Sarney. Há coisas mais sérias e graves a considerar. A principal delas o papel – até há pouco – exercido pelos senhores Agaciel Maia, ex-administrador geral e Zoghbi, ex-diretor de recursos humanos. O senhor Agaciel, sabe-se desde o início do ano,  detinha um poder de fogo financeiro simplesmente terrível, administrando sem controle externo algum três contas bancárias paralelas. Lugar onde encontrou-se a bagatela de R$ 160 bilhões, parte dos quais servia para afagar e resolver  “probleminhas” de senadores e outros parlamentares amigos. Sem contar quase 700 atos secretos, nomeações e vantagens diversas de cunho financeiro – desde 1995 – que nunca seguiram o caminho da indispensável e legal publicidade, nem apareceram nas páginas do Diário Oficial. Conforme estabelece a praxe administrativa pertinente.

     Mais adiante, divulgou-se que o senhor Agaciel Maia, que tinha até sala secreta no Senado, bunker de onde comandava as jogadas financeiras reveladas, abriu a boca para dizer que recebeu apoio e força da Mesa diretora do Senado, isto é, tinha as costas quentes e sinal verde total. Não admira que, em menos de uma década, tenha virado milionário e poderoso em Brasília, comprado mansão no famoso Lago Sul, imóvel que – imprudente e confiando na impunidade – deixou de declarar ao leão do Imposto de Renda. Assim, numa espécie de ping-pong, Agaciel diz que Zoghbi é o culpado de tudo, Zoghbi responde que o “bandido” é Agaciel.

     José Sarney, por seu lado, alegando a inocência dos anjos celestes, jogou sobre o seu contador a culpa de não ter declarado à Justiça Eleitoral a mansão avaliada em R$ 4 milhões, que ocupa na capital federal. Aqui faz-se a oportuna indagação: esse contador trabalhava para um dos homens mais influentes e ricos do país ou fazia a contabilidade do Zé-das-Couves do bairro Buritizal?

      A história desses lamentáveis episódios políticos, ainda terá novos desdobramentos. Os governistas trabalham para abreviar as sessões do Senado e entrar logo no recesso do meio de ano, tirando o foco de cima do senador José Sarney que, dizem, anda respirando melhor nos últimos quatro dias. Aliás, perigando voltar a usar descongestionantes nasais.

      Ontem, encheram-se os jornais de outra novidade:  a Fundação Sarney, no Maranhão, desviou repasses da Petrobrás – e com eles financiou festas e convescotes diversos. Fato que, espero eu, não seja lançado contra a imprensa, saco de pancadas contumaz dos políticos, quando eles – mergulhados até o pescoço nos seus escândalos e bandoleiragens às custas dos contribuintes – se vêem num beco sem saída. José Sarney, infelizmente, dormiu literalmente de touca, acordou tarde e perdeu a hora de saltar calmamente e de cabeça erguida do bonde da história política nacional.  Se por vaidade ou ânsia desmedida de poder e mando, não sei, mas que perdeu a hora, perdeu. Tempus fugit, como diziam os romanos.         

Publicado por: bonfa | 03/07/2009

FESTIVAL DE MENTIRAS, GRIPE E INTERNET

 

NOS ESTADOS UNIDOS, MAIS 7 BANCOS LEVARAM O FARELO E SAÍRAM DO CENÁRIO. LÁ, AS COISAS FUNCIONAM NA FISCALIZAÇÃO DAS JOGADAS NO MERCADO FINANCEIRO. NO BRASIL, BANQUEIROS E ESPECULADORES DE TODOS OS MATIZES CONTINUAM RINDO EM NOSSA CARA DE OTÁRIOS, PAGADORES DE IMPOSTOS.

   

NOTAS DE SEXTA-FEIRA

(03/07/2009)

 

                 “Chega sempre a hora em que não basta protestar:

                   após a filosofia, a ação é indispensável.”

                  (Victor Hugo, em “Os Miseráveis”)  

 

1 -  Seria bastante cômico, se não fosse um caso sério. Quase de polícia. Atribuir ao contador a omissão da declaração do imóvel do lago Sul, propriedade do senador José Sarney (PMDB/AP). Ora, a mansão está avaliada em R$ 4 milhões. Sarney comprou o imóvel do banqueiro Joseph Safra (Banco Safra), em 1997. Porém, em nenhuma das duas eleições das quais participou ele mencionou a mansão em sua declaração de bens à Justiça Eleitoral. As dezenas de declarações da assessoria de Sarney – afobada para justificar o injustificável – as explicações batem com os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

     Ora, não se trata de “ demonizar” Sarney, conforme boquejou, apressadamente, a ministra da Casa Civil, senhora Dilma Rousseff. O caso é um problema de ética e também de moral. Os decretos secretos no Senado, beneficiando oito parentes do senador Sarney, são uma realidade. O ex- todo-poderoso administrador do Senado, senhor Agaciel Maia, também omitiu declarar mansão de sua propriedade no mesmo lago Sul, em Brasília. E, esta semana, disse que o ” culpado” pelos decretos secretos é o seu ex-colega Zoghib que, por sua vez, diz que o ” culpado” é Agaciel. E então, como ficamos? Por que tentar esconder o sol com a peneira da irresponsabilidade? Não seria demasiada mentira e cara de pau para uma simples República?  Ou a sra. Rousseff, o presidente Lula, o senador Mercadante e outros “ ilustres” governistas, julgam que somos todos cavalgaduras? Até quando os nossos políticos irão olhar o Brasil pelo retrovisor da História?

2 -  Nos EUA, a entidade reguladora do mercado financeiro, acaba de fechar mais 7 bancos. Subindo para 52 o total de bancos e financeiras obrigados a decretar falência e fechar as portas. Lá, a coisa funciona. Esses 7 bancos, possuíam ativos de US$ 1,49 bilhão e depósitos da ordem de US$ 1,34 bilhão. Mesmo assim, arrebentaram. A rapaziada estava pesadamente envolvida com jogadas utilizando bônus securitizados. No Brasil, disfarça-se tudo. Para meia dúzia de espertalhões (banqueiros e outros nem tanto), continuarem rindo na nossa cara de otários pagadores de impostos. 

3 -  Enquanto isso, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), a maior do país, registra que houve fuga de capital estrangeiro em junho. Uma brincadeira da ordem de US$ 1,3 bilhão. Quanto aos senhores Meirelles (Banco Central) e Guido Mantega (ministro da Fazenda), continuam fazendo declarações bombásticas, dourando a pílula da crise, afirmando que o Brasil é o maior país do mundo, que somos os tais e que a “marola”  financeira não vai abalar a nossa confiança, etc. Num país mais sério, os dois já estariam na cadeia, há muito tempo. 

4 -  O senhor José Gomes Temporão, ministro da Saúde, ocupou longo horário na rede Globo, hoje a tarde. Para falar de gripe suína e de providências do governo em sua área. Tudo muito bonito, microfones funcionando, mas os hospitais e pronto socorros públicos continuam sucateados e inviáveis. Há idosos e crianças morrendo em corredores imundos nos hospitais brasileiros. E eles falando besteirol, para engordar o cofrinho da rede Globo.  Que República! 

5 -  É sempre bom lembrar aquela pesquisa – encomendada pela Associação Comercial de São Paulo – que, entre outros dados, revelou que 76% da população confia na Polícia Federal; somente 53% acreditam no Supremo Tribunal Federal (STF); e 90% dos brasileiros não confiam nos políticos. Infelizmente, a moçada de Brasília, parece, não lê jornal, nem quer saber de nada, a não ser cevar-se cada vez mais nas mordomias às custas do erário.

6 -  Para quem é fissurado em Internet, aí vai uma boa: os crimes na rede mundial de computadores, bateram na bagatela de R$ 1 trilhão, em 2008, somente npo Brasil. São senhas roubadas, cartões de crédito e débito clonados e por aí a fora. Há casos em que a pessoa nem desbloqueou o cartão do banco e alguém – numa localidade diferente e até no exterior – já está fazendo farra com a grana alheia. Olho vivo e todo cuidado é pouco.

Publicado por: bonfa | 30/06/2009

A BOLHA DO SENADO, MERCADO FINANCEIRO E CADEIA

      A meu ver, torna-se a cada dia mais delicada a situação política do senador José Sarney (PMDB/AP), colhido na esteira dos recentes escândalos no Senado. Qualquer apuração, feita agora, jamais irá tirar a mancha dele ter tido oito parentes nas folhas de pagamento daquela instituição e outros tantos amigos e assessores, nomeados pela via dos decretos secretos.

NOTAS DE HOJE 

1 -  Ficou muito delicada a situação política em torno do presidente do Senado, José Sarney. De fato, no meio dessa marola toda, a melhor coisa que ele tem a fazer é afastar-se do cargo. Ficar neutro. Exigir apurações rigorosas, doa a quem doer. O problema é que nada pode apagar a triste realidade: oito membros de sua família pendurados nas benesses do Senado. Inclusive um neto, abiscoitando um esquema de empréstimos consignados e seguros para servidores daquele órgão. 

2 -  Nos EUA, a justiça acaba de condenar aquele moço da pirâmide financeira, Bernard Madoff, a 150 anos de cadeia. Essa é a grande diferença entre os EUA e o Brasil. Aqui, há décadas, banqueiros e outros especuladores do sapato fino, pintam e bordam no mercado financeiro, “chantageiam” o governo federal – em busca de juros mais altos – abocanham a parte do leão em qualquer contrato e ninguém faz nada. Eles ficam cada vez mais ricos e nós, otários pagadores de impostos, cada vez mais lascados. 

3 –  Faltava um projeto assim. No Senado, uma das comissões internas aprovou resolução, a fim de disciplinar a criação de novas datas comemorativas. No Brasil, é um horror. Tem feriado aos montes e comemorações disso e daquilo. Belo dia, alguém vai inventar o Dia do Cachorro Louco. Pois dia do resto já tem! 

4 -  Aliás, como o assunto é Senado, lembrei que a senadora Kátia Abreu (DEM/TO), tem razão: não é possível separar a discussão das questões do meio ambiente dos problemas da produção de alimentos. Esse é o desejo do lobby dos ambientalistas e das ONGs., algumas estrangeiras, fregueses contumazes dos repasses e verbas especiais dos programas federais. Essa caterva de pilantras da área ambiental, faz o que quer na Amazônia. Sem que ninguém consiga colocar-lhes freio e cabresto.

5 -  Incríveis as imagens de ontem, quando mostrou-se na rede Record a inqualificável condição do atendimento a Saúde no Estado do Pará. Em Belém, a população está entregue à própria sorte em termos de assistência pública de saúde. E o governo parlapatão e demagogo da sra. Ana Júlia Carepa (PT), deitado em berço esplêndido, freqüentando as colunas sociais e deixando o povão se lixar. Que Estado!

 

 

 

Publicado por: bonfa | 26/06/2009

LULA, SENADO E ELEIÇÕES

FAZ PARTE DO JOGO POLÍTICO AMAPAENSE INVENTAR BRIGUINHAS ENTRE O GOVERNADOR WALDEZ E SEU VICE, PEDRO PAULO. ADIANTE, VÊ-SE QUE NÃO SERÁ UM PASSEIO A CONQUISTA DAS DUAS VAGAS PARA O SENADO, EM 2010.

NOTAS DE HOJE 

1 -  A velha turminha dos fofoqueiros e boquejadores de plantão, esta semana, voltou a insistir numa tecla bem manjada: o governador do Estado, Waldez Góes (PDT), estaria de “bico” com o seu vice, Pedro Paulo Dias (PP). Se está ou não, falta confirmar. Pelo menos em cerimônias públicas, esses dois cavalheiros comportam-se dentro das regras da boa educação. Ora, sabe-se que membros do primeiro e segundo escalões estadual, por alguns motivos, querem ver Pedro Paulo pelas costas. Interesses contrariados, dizem. Algumas figuras apostam suas fichas que, se Pedro Paulo assumir o bastão com plenos poderes, a cacetada cantará seca neles. De fato, essa gente não deixa de ter lá as suas razôes. No Amapá, quem não está ao lado das benesses do governo estadual, fica no mato sem cachorro e sem bússola. Porém, aproximando-se o ano político (2010), tomara que Waldez Góes possa fazer sua opção ao Senado e transmitir o poder ao vice em clima de entendimento e harmonia. 

2 – O presidente da comissão de Relações Exteriores da Assembléia Legislativa do Estado, deputado Paulo José, remeteu o esboço da chamada Carta do Amapá (oriunda do Encontro Transfronteiriço no Oiapoque), ao Itamaraty, em Brasília. Que houve? Não há por aqui redatores à altura de elaborar documento semelhante? Sem vaidades, por que não falaram comigo? A Carta teria que ser feita no Amapá, porque nós é que sentimos na pele os inúmeros problemas da migração clandestina e agressões a brasileiros na fronteira Norte do país, entre as cidades de Oiapoque e Saint-George (Guiana Francesa).  

3 – Esse senhor, Lula da Silva, acaba de declarar que só voltará em 2014 (cruz credo! Vade retro, Satana!), se a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, não ganhar as eleições, para sucede-lo. Lula é bastante vaidoso e, parece, acredita em Papai Noel e Branca de Neve. O PT e seus apaniguados – sabe-o a gente esclarecida desse malfadado país – não reune condições – nem morais, nem administrativas e muito menos éticas – de retomar o comando da presidência da República. Chega de mentiras, de cestas básicas para enganar os otários e de roubalheiras em plena luz do dia e na calada da noite. 

4 -  Parece até moda. Contudo, admira-me que as direções e os “ donos” das faculdades do Amapá – em caravana e vela acesa – percam tanto tempo precioso, tentando tirar do mapa local a realidade da Universidade Vale do Acaraú – UVA. Até o Ministério Público do Estado já se envolveu no assunto. Para receber um “não” da juíza Alaíde, que considerou a UVA dentro dos parâmetros legais. Por que essa grita contra a UVA? O que fazem eles de diferente que assusta os sistemas de ensino já implantados e funcionando na capital? Senhores, concorrência é sempre salutar. Estimula, quando menos, a qualidade. 

5 – Um amigo, no almoço de ontem, dizia-me que a parada das eleições para o Senado  – no Amapá – já está decidida. As duas vagas seriam preenchidas pelo atual mandatário estadual, Waldez Góes e o ex-governador e ex-senador João Alberto Capiberibe (PSB). Sei não, se isso irá acontecer. Aqui, eu pergunto: e se eu candidatar-me ao Senado, como vai ficar o arraial político? A vereadora Cristina Almeida, outro dia, não “empurrou” 102 mil votos em cima do ” intocável”  Sarney? Em política, tudo é possível. 

6 – O preclaro presidente do diretório regional do PC do B, advogado Luiz Pingarilho, anunciou que sairá de férias. Passa em São Paulo e, depois, pretende rever as belas praias do Nordeste. Claro, ninguém é mesmo de ferro. Todavia, no regresso, ele terá de enfrentar sérias conversas políticas, juntamente com o deputado federal Evandro Milhomem, a fim de definir para que lado irá o partido em 2010. No páreo e à disposição, encontram-se as galeras do governador Waldez, a do vice Pedro Paulo, a de Capiberibe e Cia., a de Gilvam Borges (PMDB), a de Jorge Amanajás (PSDB) e, correndo por fora, a de Lucas Barreto (PTB). Aliás, a bolsa de apostas está aberta. 

7 – Falar em política, não vejo ninguém – na área da mídia amapaense – com tutano e cacife – para enfrentar as eleições 2010, numa chapa majoritária. Os nomes que aí estão só poderiam encarar uma vaguinha de “ vice” – e olhe lá. No entanto, para deputado estadual e federal, há possibilidades. Se mantiverem atrás das costas (financiando a brincadeira), empresários tipo Jaime Nunes, Adiomar Veronesa e Zé Alcolumbre.

 

 

Publicado por: bonfa | 23/06/2009

ROUBOS, MENTIRAS E SAFADEZAS

      PARA SACIAR A FOME DOS MOLOCS, LEITORES QUE NÃO COSTUMAM DAR-ME TRÉGUA, NEM DESCANSO, AÍ VÃO ALGUMAS PÉROLAS. ESCRITAS APÓS MINHA HABITUAL VISITA AOS SITES DE JORNAIS NA INTERNET. A TARDINHA, PODE SER QUE EU ACRESCENTE MAIS ALGUM INGREDIENTE NESSE MINGAU.

 

CONVERSAS DE HOJE

 

1 -  Pois é. Essa historinha dos atos secretos no Senado, creiam, ainda terão outros desdobramentos. Hoje, amanhecemos sabendo que 350 servidores da instituição ganham salários maiores que os dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Devem ser 350 semideuses. A verba indenizatória passou de R$ 12 mil para R$ 15 mil. É mole? Soube-se também que as medidas por debaixo dos panos, beneficiaram diretamente 37 senadores, estando no festival mais 24 ex-parlamentares. O sujeito perde a eleição e o mandato, mas as mordomias, caixinhas e benefícios e verbas continuam a jorrar nos bolsos, como se nada tivesse acontecido.

    A pouca vergonha engloba “excelências”do PT, DEM, PMDB, PSDB, PDT, PSB, PRB, PTB e PR.  Homens sem um pingo de moral e ética. Gente que engana o povo e ocupa a tribuna – engravatados e com ar contrito de anjinhos – para vomitar que estão tratando dos problemas da população.  Autênticos caras de pau. Que República!

2 – Enquanto isso, o matuto Tati-bi-tati que ocupa a presidência da República, continua olhando o Brasil pelo retrovisor. Aqui e ali, não perde chance de criticar seus antecessores, especialmente o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Como se o governo atual fosse essa maravilha toda na terra. Meu Deus! No Brasil, quem continua bem são os grandes especuladores na Bolsa de Valores e os banqueiros de sempre. Os grupos de oligopólios, idem. O resto – e nos incluímos nisso – que se dane. Quem não estiver satisfeito, que vá reclamar ao bispo. Contudo, há mais: o governo de Lula conseguiu anestesiar a consciência nacional. Distribuindo cestas básicas e cartões-desconto para a patuléia.

3 -  Vamos ver uma coisa: por que, de repente, até uma figurinha carimbada tipo José Genoíno, petista radicalóide e, dizem, falso guerrilheiro do Araguaia, abdicou das jogadas políticas de gabinete e deu parecer contra o terceiro mandato de Lula da Silva? Justamente, porque ninguém pode enganar todo mundo todo o tempo. Um terceiro mandato para essa quadrilha de espertalhões, pode fazer com que eles liguem um tubo de 12 polegadas, saindo direto do Tesouro Nacional e indo derramar dinheiro do erário na casa de cada um deles. Francamente, nunca tinha visto tamanha reunião de achacadores dos cofres públicos. Uns descarados sem classificação.

4 – Ontem, lembrei-me do meu velho amigo (falecido há 2 anos), advogado Adálvaro Vitório Araújo. Era um sujeito legal. Pessoa de boa convivência e de tratamento agradável. Seu irmão, Emílio Araújo, um dos melhores ortodontistas da cidade, emocionou-se, quando relembramos passagens divertidas em companhia do nosso Vitório. Certa feita, Vitório me telefonou. Queria que eu fosse encontrá-lo, urgente, num dos restaurantes da orla. Cheguei lá em menos de 20 minutos. Indaguei porque a urgência. Ele sorriu e respondeu: – Nada, rapaz. É que eu queria te ver e bater um papo contigo. – chamou o garçon e bebemos cerveja até as 20h. Assim era o Vitório.

5 – Foi ontem a fundação da nobilíssima Grã-Ordem de Santo Agostinho dos Viciosos, numa reunião de quatro cavaleiros fundadores: os advogados Wagner Gomes e Emmanuel Dante, o Emílio Araújo e eu. Os estatutos serão feitos o mais rápido possível. A entidade somente admitirá em suas fileiras membros que adotem, sob juramento, o hábito de beber as segundas-feiras. Aliás, outra condição sine qua non é que os adeptos possuam uma boa folha corrida de pecados mortais. Os veniais não são aceitos. Nem por intercessão do papa e do cardeal Camerlengo do Vaticano.

6 –  Há um fato que é preciso referir: está aumentando – discreta, mas firmemente – a venda clandestina de armas de fogo no Amapá. Basta consultar a estatística de ocorrência policiais nos finais de semana. Agora, é preciso redobrar os cuidados no trânsito e em locais de comemorações populares, porque todo mundo passou a andar armado. A moda de trazer armas debaixo do banco do carro, igualmente pegou por aqui. Reclamar a quem?     

Publicado por: bonfa | 22/06/2009

CIDADES NA MISÉRIA, BANDA LARGA E POLÍTICA

     O BRASIL VAI DEMORAR UM POUCO A TORNAR-SE, DE FATO, UM PAÍS CIVILIZADO. NUNCA VI TANTA ESCAMOTEAÇÃO DA VERDADE, TANTO FINGIMENTO E TANTAS ROUBALHEIRAS AO ERÁRIO, ENQUANTO MAIS DE 40 MILHÕES DE PESSOAS AINDA PASSAM FOME, SOFREM DOENÇAS PROVOCADAS PELA ÁGUA QUE CONSOMEM E VIVEM VEGETANDO EM FAVELAS, MOCAMBOS IMUNDOS E BARRACOS DE LONA.

 

NOTAS DIVERSAS 

1 -   Não existe muita lógica, ou melhor, lógica nenhuma nas intenções do governo Lula, relativas a diminuir os repasses constitucionais aos municípios. Ora, há cidades no Brasil que, por absoluta penúria de recursos e de idéias dos alcaides (centenas deles semianalfabetos), parecem saídas de um filme de horror e ficção. Endividadas, as prefeituras submetem suas populações a toda sorte de privações sociais. As crianças e os idosos comem o pão que o capeta amassou. As escolas de funcionamento precário, não tem merenda. No interior do Ceará, outro dia, apareceu um prefeito despachando debaixo de uma árvore. E ainda teve o desplante de sorrir para as câmeras de TV, o pacóvio! Essas são tristes realidades brasileiras.

2 -   Agora, aumentou para 69 o número de empresas  diretamente envolvidas com o desmatamento na Amazônia. O Ministério Público Federal mapeou tudo e revelaram-se dezenas de esquemas fraudulentos e criminosos de transporte e venda de madeira. Mas, pelo menos por enquanto, nenhum tubarão desses negócios foi preso.

3 -  Para o senador Sarney, a crise é do Senado, não dele e ninguém pode cobrá-lo de nada. Como não pode? Que história é essa? Que papo furado é esse, se o distinto possui (possuía?) nada menos que 8 pessoas ligadas à sua família, penduradas na folha de pagamentos do Senado? O mal é que alguns políticos – e Sarney não é nenhuma exceção – concentram poderes demais nas mãos, controlam as lideranças e os grandes negócios desse país de mentiras – e, depois, ninguém consegue mais colocá-los nos trilhos da moralidade. Viram autênticos Tartufos de gravata.

4 – Vejamos: hoje, anda cheia a Internet detalhando que o ex-diretor do Senado, senhor Agaciel Maia – que escamoteou do fisco a famosa e vistosa mansão no Lago Sul, em Brasília – usou dos atos secretos para aumentar seu próprio salário. Abiscoitava R$ 30 mil e quebrados mensais. Ganhando acima do salário de um ministro do STF. Beleza, heim? E os controles das compras de material para o Senado, milionárias e também sem fiscalização alguma? Então, quando se descobre as brincadeiras com o dinheiro público, fica esse clima de lágrimas de crocodilo, promessas de “rigoroso inquérito” e disse-me-disse entre as pérfidas viúvas, contumazes comensais do poder. Lamentável.

5 -  Viram o que aconteceu – e ninguém tomou atitude moralizadora – entre as modelos negras na São Paulo Fashion Week? Os negros, minoria de rapazes e moças, ganharam diárias ridículas. Algo como R$300,00 ou R$ 400,00 – quando as modelos brancas faturaram a média de R$ 1 mil por desfile. Sem falar nas estrelas das passarelas, que ganham na faixa de R$ 100 mil a R$ 300 mil para mostrar as pernas magras. Depois, ficam por aí boquejando que não há racismo no Brasil. Há, sim. E descarado.

6 -  Pelo que fui informado, ontem (domingo), aumentou a influencia da deputada federal Dalva Figueiredo (PT/AP), sobre os sindicalistas ligados a CUT. A eleição da nova diretoria da entidade teve o dedinho de dona Dalva e seus seguidores fiéis. Bom, as eleições de 2010 – se ocorrerem mesmo – irão abalar alguns mitos que ainda existem em torno das lideranças políticas do Amapá.

7 -  Para quem perguntou, a resposta: não existe nenhum critério específico, muito menos tabela de custos, para alguém ser notícia neste Blog. Aqui, o espaço é democrático, mas completamente independente. O que significa dizer que não basta ser político, nem ter essa ou aquela idéia – quantas vezes besteirol puro  e demagogia – para que eu vá perder o meu tempo, colocando o nome de quem quer que seja aí. Há várias maneiras duma pessoa sair do anonimato. Uma delas é fazendo por onde merecer elogios, pelo trabalho social que esteja, ou possa ter realizado, por exemplo.

8 -  Um amigo meu, pessoa muito próxima ao poder estadual e sabedor privilegiado das coisas de Brasília, garantiu-me: “Devemos passar a considerar a não-realização das eleições de 2010.” Se isso vier a acontecer, muda o quadro político no Amapá. Os mandatos serão prorrogados mais dois anos e quem hoje posa de candidato ao governo do Estado, amanhã pode estar sentado no quintal de sua casa, avaliando os prejuízos e refazendo seus planos políticos. A conferir.

8 – Querem saber de uma coisa? Se, de fato, houvesse a vontade política, necessária nas circunstâncias, o ministério das Comunicações teria entrado no circuito e o Amapá – por sua vez – já teria os serviços de Banda Larga na telefonia geral. Se, no Brasil, a expansão da Banda Larga sofre pela falta de maior concorrência, numa guerra desigual entre as empresas detentoras de tecnologia específica, imaginem no Amapá, terra onde tudo chega com atraso. Metam na cabeça uma verdade nua e crua: nessa era de satélites e fibra ótica, a incompetência administrativa revela-se mais rápido e em toda a sua negativa plenitude. Para prejuízo nosso.

Publicado por: bonfa | 19/06/2009

SUFRAMA, AMAPÁ, PAPOS E ELEIÇÕES

              Não é de hoje que os governantes do Amapá, numa cantilena só, batem no muro das lamentações da Suframa. Ora, a Zona Franca de Manaus está consolidada – e os amazonenses, é óbvio, nâo gostam de sonhar com a possibilidade de perder o pitéu das exportações, caso o Estado do Amapá venha a ter também a sua Zona Franca. 

NOTAS DIVERSAS 

ÁGUA E ÓLEO

     Fala-se muito e cochicha-se sobre as conversas, meio veladas ainda, que estâo ocorrendo entre o vice-governador Pedro Paulo Dias (PP) e o ex-senador e ex-governador João Alberto Capiberibe (PSB). Mas, o que esses dois cavalheiros teriam a conversar? Lógico que a pauta deve incluir, necessariamente, as eleições de 2010. 

    Pedro Paulo deve assumir o governo do Estado, a partir de abril – se não chover muito e também não mudar o humor de Waldez Góes (PDT), atual mandatário estadual. Contudo, se Waldez não montar o cavalo da candidatura ao Senado, vai zerar o jogo político. E o cenário será outro. Para mim, papo entre PP e PSB agora é mistura de água e óleo. 

OUVIR E CALAR

     Após revelar-se que seu nome estava incluído numa das assessorias especiais do Senado, o ex-deputado Lucas Barreto (PTB), recolheu-se em copas. Em política – às vezes – dizem os mais astutos, atacar significa perder mais rápido a batalha. Prudência e caldo de galinha nunca fizeram mal a ninguém. Por enquanto, Lucas tem colocado seus ouvidos à disposição do ex-senador Jonas Pinheiro Borges, que anda por aí atrás de onda. Quer voltar ao Senado. 

BANCO DA AMAZÔNIA

    Eis que, ontem, os noticiários davam conta de que o homem encarregado dos principais negócios e projetos do Banco da Amazônia, estava sendo procurado pela Polícia Federal. A residência do moço foi revistada e a PF levou computadores, agendas e documentos para perícia. O que houve? O cara perdeu o juízo e entrou nos labirintos escuros da corrupção? É o que se comenta em Belém do Pará. Mais um. 

MADAME CAREPA

     É preciso reconhecer um fato: a governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), tem uma assessoria de lana-caprina. Apesar das constantes viagens dela a Brasília, cerimônias, discursos e inúmeras reuniões comunitárias, a popularidade da governante dos paraenses permanece no fundo do poço. Ainda mais agora, quando até o grande projeto de revitalização do distrito industrial de Ananindeua empacou. Que pena.  

MALHANDO FRIO

     Vocês pensam que a Suframa – às vésperas de um ano eleitoral – irá colocar como prioridade a estruturação do distrito industrial do Amapá? Ledo engano. O governador Waldez Góes, se tiver cabeça para tanto, nem devia gastar suas fichas com esse tema. A Suframa nunca olhou o Amapá com bons olhos, nem irá dar-nos de graça e sem condições restritivas a chamada Zona Franca Verde. Engula essa verdade quem quiser. 

MALHANDO QUENTE

      Enquanto isso, o senador Gilvam Borges (PMDB), gasta sandálias interior a fora, numa pré-campanha mais do que explícita ao governo do Estado, em 2010. Ele tem sido o político mais citado e visível na mídia nos últimos dois meses. Basta ver os jornais e conferir textos e fotos, como eu fiz esta semana. Vai terminar o ano como uma das maiores lideranças políticas do Amapá. Sem o qual ninguém irá a lugar nenhum nas próximas eleições.

 

 

Publicado por: bonfa | 18/06/2009

PARA DESAVISADOS EM GERAL

 

APENAS ALGUMAS PALAVRAS 

            Bonfim Salgado

    

            Há uma coisa que não me agrada: viver justificando para as pessoas certas atitudes que tomamos. No meu caso, tenho feito o possível para não prestar atenção a patrulhamentos. Ativei e mantenho esse Blog, vez por outra escrevo para jornais e faço questão de deixar bem explicitada a minha posição e o que penso sobre qualquer assunto.

             Ontem, comentei sobre o mais recente escândalo no Senado, quando colocaram o senador José Sarney no olho do furacão. Descobriu-se que havia lá 623 atos secretos – de cunho administrativo – feitos entre 1995 e 2009. Na sarabanda, nada menos que 8 parentes de Sarney foram ou estão nomeados, o que provocou manchetes de jornais e até curiosa manifestação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, declarando que Sarney não é um cidadão comum.

              O abecedário do jornalismo reza que, por várias razões, deve-se evitar ao máximo brigar e interferir na notícia e nos fatos. Na maioria das vezes, é minha atitude. Porque tanto faz a notícia boa ou ruim ser a favor ou contra Sarney, Lula, o papa ou Barack Obama. Nenhum deles paga o feijão, arroz, charque e água mineral que entra lá em casa. Nem lhes devo favores. E muito menos estou assalariado às expensas desses ilustres cavalheiros. Nem também preso a compromissos com qualquer político do Estado do Amapá, do Brasil e do mundo. Fui bastante claro?

              Por oportuno, convém colocar que deixei as fileiras do PMDB do Amapá – há quase 3 anos – e dalí saí pela porta da frente, como entrei, e sem atirar em ninguém. O único esquecimento, foi deixar de despedir-me do vigia da sede do partido, um sujeito legal que servia o cafezinho a noite. Mas, sem dúvida, farei isso um dia desses.

             Considerando , que não costumo entrar no mérito de determinadas questões – e os escândalos e patifarias políticas fazem parte dessa exceção – não “cola” afirmar que sou contra Sarney, que não gosto do Lula, que sou direitista numa hora e ferrenho comunista na outra. Aliás, perde tempo quem manda-me mensagens de e-mail, tentando pregar-me rótulos e incluir-me entre essa conhecida ratauia de oportunistas da imprensa local. Podem anotar: vou continuar pensando do mesmo jeito, contra ladroagens de todos os matizes, contra políticos carreiristas e irresponsáveis, contra os hipócritas e sepulcros caiados , aqueles cujo pensamento para ter sucesso e elevar-se acima da média das pessoas, os ilude de que sempre é preciso pisotear alguém e levar vantagem em tudo.

 

Publicado por: bonfa | 18/06/2009

A FAMÍLIA SARNEY NO SENADO

   Essa aí também acabei de receber from Brasília. Se não é um claro e evidente caso de nepotismo, seria bom providenciar a retirada do termo do dicionário Aurélio. Com efeito, ninguém pode enganar todo mundo todo o tempo.

 

A GRANDE FAMILIA SARNEY

 Oito pessoas ligadas por laços de parentesco ao presidente do Senado são ou foram contratadas para cargos comissionados

 

Ricardo Brito e  Marcelo Rocha

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 Publicação: 18/06/2009 08:43     Atualização: 18/06/2009 08:44

CONTEÚDO RELACIONADO

 Shirley Duarte Pinto de Araújo foi lotada durante seis anos no gabinete de Roseana Sarney (PMDB-MA). Deixou o cargo em abril passado, época em que Roseana se desligou do Senado para governar o Maranhão. Shirley seria apenas mais uma entre os 3 mil funcionários comissionados da Casa não fosse o fato de viver em São Luís ao lado de Ernane Sarney, tio da ex-senadora e irmão do presidente José Sarney (PMDB-AP). É mais um galho na árvore de parentes cultivada no Senado pela família Sarney nos últimos 25 anos.

A revelação da existência de atos secretos para encobrir mordomias e contratação de parentes no Senado aguçou a busca por irregularidades na Casa. Desde que assumiu pela terceira vez o comando do Parlamento, Sarney atribui a seus antecessores “os erros” administrativos, esquiva-se da pecha de patrocinador do nepotismo e empurra o problema para a próxima semana, quando o primeiro-secretário Heráclito Fortes (DEM-PI) retoma as atividades. As descobertas, porém, encurralam ainda mais o peemedebista.

Além de Shirley, o Correio identificou nos boletins administrativos do Senado que Ivan Celso Furtado Sarney, irmão do presidente do Senado por parte de pai, ocupou um cargo de assistente parlamentar na Segunda Secretaria. A nomeação ocorreu em maio de 2005, quando o setor era comandado por um aliado de Sarney: João Alberto (PMDB), atual governador em exercício do Maranhão com o afastamento para tratamento médico de Roseana. Sete meses antes do ato de nomeação, então presidente da Câmara Municipal de São Luís, Ivan havia perdido a reeleição. O irmão de Sarney foi exonerado em fevereiro de 2007, em ato assinado pelo ex-diretor-geral Agaciel Maia e publicado somente no boletim suplementar de 30 de abril daquele ano.

Procurada pela reportagem, a assessoria de Sarney ponderou que só poderia responder pelo caso de Ivan Celso. No entanto, não houve retorno até o fechamento desta edição. No caso de Shirley, mulher de Ernane Sarney, os auxiliares do peemedebista recomendaram que se contatasse assessores da governadora Roseana. O Correio pediu informações à Secretaria de Comunicação do Maranhão, mas não obteve resposta. Foi deixado recado na casa de Shirley e também não foi respondido. Ivan Celso não foi localizado.

Com os nomes de Shirley e Ivan, sobe para oito o número de pessoas ligadas à família Sarney que são ou já foram comissionadas em gabinetes parlamentares ou outros setores do Senado. O primeiro caso a surgir foi o de João Fernando Michels Gonçalves Sarney, neto do presidente da Casa. Ele ocupava uma função de confiança no gabinete de Epitácio Cafeteira (PTB-MA) e foi exonerado em outubro do ano passado, após a súmula do Supremo Tribunal Federal (STF) que proibiu a contratação de parentes na administração pública. João Sarney foi substituído pela mãe, Rosângela Teresinha Michels Gonçalves.

No dia seguinte ao discurso de Sarney, um grupo de nove senadores anunciou ontem que pretende enviar ao peemedebista o que chamou de “pacote moralizador” para estancar a crise na Casa. Os parlamentares pedem a anulação dos atos secretos e o afastamento de José Alexandre Gazineo da Direção Geral. Gazineo foi o responsável por assinar número significativo das instruções. Ele assumiu o comando administrativo do Senado em substituição a Agaciel, afastado após a denúncia de ter ocultado a propriedade de mansão no Lago Sul.

“COMBATE AOS MAUS”
Um dia após ir à tribuna do Senado para rebater a série de denúncias de irregularidades, José Sarney disse ontem que é dever de deputados e senadores combater os “maus parlamentares”. Num discurso na solenidade que lançou a campanha institucional “O Congresso faz parte da sua história”, ele afirmou que cabe aos parlamentares corrigir os erros praticados. “Nossa função é procurar de toda maneira que nós, nesses novos tempos, tenhamos condições de corrigir todos os erros e fazer com que o povo não olhe o Parlamento pelos seus defeitos. Nossos valores não podem ser julgados pela imperfeição do exercício, dos valores morais e dos valores do Parlamento que são feitos muitas vezes por maus parlamentares a quem devemos combater.”

Se você tem alguma informação sobre o tema ou deseja opinar, escreva para leitor.df@diariosassociados.com.br

Arquivos históricos
Nos arquivos do Senado é possível identificar as andanças dos Sarney na Casa durante os últimos 25 anos. Em novembro de 1984, quando o nepotismo ainda não fazia parte das discussões públicas, Roseana Sarney, filha do senador José Sarney, foi nomeada pelo então presidente, Moacyr Dalla (PDS-ES), para trabalhar como assessora no gabinete do pai. De acordo com o ato, ela tinha direito a salário mensal equivalente ao cargo DAS-3 (R$ 3,8 mil em valores atuais), nomenclatura usada pelo Executivo.

Em maio do ano seguinte, quando Sarney já exercia o cargo de presidente da República, o Senado cedeu Roseana para trabalhar na Casa Civil. O empréstimo foi decidido em reunião ordinária da comissão diretora, presidida pelo senador José Fragelli (PMDB-MS), e foi registrado em ata.

Concurso
Com a nova Constituição de 1988, que criou a obrigatoriedade do concurso público, Roseana foi efetivada servidora do Senado, mas pouco tempo trabalhou como funcionária pública em razão de sua atividade política. Licenciada sem direito a salário, ela, no entanto, pode usar esse período em caso de aposentadoria.

A filha do presidente do Senado se desligou da Casa em março para assumir o governo do Maranhão com a cassação de Jackson Lago pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ela precisou se afastar, no início do mês, para tratar uma aneurisma em São Paulo. Quando estourou o escândalo dos atos secretos, Sarney estava em companhia da maranhanse. Voltou essa semana para tentar contornar a onda denuncista, mas o remédio — um discurso na tribuna e a promessa de ações na próxima semana — não conseguiu abrandar a crise. (MR)

O clã
Confira os nomes de parentes e de pessoas ligadas a José Sarney no Senado:

Ivan Celso Furtado Sarney
Irmão, por parte de pai.
Em maio de 2005 foi nomeado para ser assistente parlamentar (AP-4) no gabinete do então segundo-secretário do Senado, João Alberto (PMDB-MA). Dois anos mais tarde, foi exonerado do Senado.

Shirley Duarte Pinto de Araújo
É namorada de Ernane Sarney, irmão de José Sarney.
Shirley foi nomeada como assistente parlamentar sigla AP-3 para o gabinete de Roseana Sarney por ato assinado por Agaciel Maia em fevereiro de 2003. Em fevereiro de 2007, teve o cargo alterado para o de secretário parlamentar. Foi exonerada em abril passado.

João Fernando Michels Gonçalves Sarney
Neto de Sarney. É filho de Fernando Sarney com Rosângela Terezinha Michels Gonçalves.
Em fevereiro de 2007, foi nomeado — por ato assinado pelo atual diretor-geral José Alexandre Lima Gazineo — como secretário parlamentar no gabinete de Epitácio Cafeteira (PTB-MA). Foi exonerado em outubro de 2008 por ato secreto

Rosângela Terezinha Michels Gonçalves
Mãe de João Fernando. Foi namorada de Fernando Sarney, filho de José Sarney.
Substituiu o filho no gabinete de Epitácio Cafeteira em outubro de 2008

Isabella Murad Cabral Alves dos Santos
Sobrinha de Jorge Murad, genro de José Sarney.
Nomeada, em fevereiro de 2007, como assistente parlamentar na liderança do PTB no Senado. Apesar do vínculo com o Senado, ela está atualmente na Espanha.

Maria do Carmo de Castro Macieira
Sobrinha da mulher de José Sarney, Marly.
Nomeada por Agaciel Maia, em junho de 2005, para o gabinete da ex-senadora e prima Roseana Sarney — atual governadora do Maranhão — trabalha no escritório em São Luís.

Vera Portela Macieira Borges
Sobrinha de Marly Sarney.
Funcionária pública do Ministério da Agricultura, foi cedida para trabalhar na Presidência do Senado em 2003. Mas, por morar em Campo Grande (MS), foi cedida para o escritório político do senador Delcídio Amaral (PT-MS) naquela capital

Virgínia Murad de Araújo
Parente de Jorge Murad, genro de José Sarney.
Nomeada em maio de 2007 para trabalhar como secretária administrativa de Roseana Sarney. 

Publicado por: bonfa | 17/06/2009

ATOS SECRETOS, TIROTEIO E STF

   SE CADA PAÍS TEM OS POLÍTICOS E OS JUÍZES QUE MERECE, POR QUE ESSA GRITARIA TODA NO MOMENTO EM QUE SE DESCOBRE – EM GAVETAS BEM CHAVEADAS – QUE O SENADO DA REPÚBLICA FEZ SEU FESTIVALZINHO DE ATOS ADMINISTRATIVOS SECRETOS?

 

LEITURA DINAMICA 

CIDADÃO COMUM

     Ora, o que é, ou o que significa ser um cidadão comum? Será que é a raça de bestalhões e pacóvios pagadores de impostos federais desse malfadado e injusto país? O negócio é meio por aí. Hoje, encheram-se os jornais e sites de Internet, verberando sobre as declarações de Lula sobre o presidente do Senado, José Sarney. Resumindo, Lula defendeu Sarney das críticas que vem recebendo e disse que ele, Sarney, “Não é um cidadão comum.” Se é ou não, isso fica ao critério de cada um.

     O problema é que o senador Sarney pode fazer mil discursos, agitar duzentas vezes seus braços e assanhar outras trezentas o bigode. Está no seu direito defender-se e tem a tribuna do Senado a menos de três metros da cadeira azul onde pavoneia-se todos os dias. O que não pode é pensar que somos todos cavalgaduras, otários e zés-manés. Porque ele não pode apagar a vergonheira de ter tido uma sobrinha sua nomeada – secretamente – para cargo no gabinete de um amigo.

ATOS SECRETOS

         Se o Senado – uma das pernas do poder legislativo – pode realizar atos secretos, nomeações, negociatas e tratativas debaixo dos panos e dos tapetes, o que será que deve estar ocorrendo nos demais poderes da República? A presidência do país tem um batalhão de gente especializada em ações secretas. Dizem eles, para a defesa e manutenção da ordem nacional. Como esconder a gastança desbragada e irresponsável dos cartões corporativos, por exemplo? E o Judiciário também não teria seus atos secretos? Ou não estamos no Brasil?  

 PC do B

      Os jornais comentam sobre o aumento expressivo na lista de filiados ao PC do B do Amapá. Menos mal. O presidente do diretório regional, advogado Luiz Pingarilho, garantiu-me que eles já estão bem perto de 8 mil inscritos no partido e que pretendem disputar as eleições-2010 lançando uma boa penca de candidatos a estadual e a federal.

NOVO TIROTEIO

       O deputado estadual Moisés Souza (PSC), de fato, não deve ser convidado para a mesma mesa onde estiver sentado o atual secretário estadual da Educação, Adauto Bittencourt. O caso está tomando rumos de delegacia de polícia. As denúncias de Moisés Souza no rádio e na Tv – para quem sabe ver, ler e entender – elegeram dois alvos preferenciais: o próprio Adauto e o governador Waldez Góes. O irmão de Moisés, Marcos Reateguy, foi procurador-geral do Estado, até bem pouco tempo.

FOSSA DE RESÍDUOS

      E que ninguém se engane: a partir de fevereiro de 2010, data em que mais ou menos devem estar quase fechadas as primeiras negociações, visando as aleições majoritárias (governo do Estado e Senado), essa turma de políticos ambiciosos que anda por aí, vai destampar a fossa de resíduos putrefatos. E se vocês querem que eu escreva de maneira mais clara, jogarão literalmente um monte de merda no ventilador da administração estadual. Esperem e confiram.

CASTANHA QUENTE

       Após essa canetada do Supremo Tribunal Federal, sobre a não obrigatoriedade do diploma de jornalista – para que alguém possa exercer a atividade – gostaria muito de ver a cara de algumas pessoas da mídia amapaense. Um tipo de gente que, desinformada, egoísta, corporativa e intolerante, ficou boquejando besteirol contra os jornalistas antigos (e me incluo entre eles), alegando que ninguém mais podia ser jornalista sem um diploma de faculdade. E agora, como ficamos? No meu caso, para não cansar minha meia dúzia de leitores, informo que tenho 42 anos de imprensa (rádio, jornal e televisão) e considero-me engajado nos problemas do meu tempo. Justamente porque, nos idos de 1969/70, fui preso oito vezes pelo governo militar do Território Federal do Amapá. Meu delito? Defender o povo humilde e a liberdade de opinião e de consciência. Como faço até hoje, aliás. Quisera ter umas castanhas em brasa, para colocar na língua viperina de figurinhas carimbadas da imprensa local.  

   

 

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