Publicado por: bonfa | 27/06/2011

A VOLTA DO VELHO SENHOR

Os políticos reclamam das pressões dos eleitores. Os governos, murmuram das pressões dos políticos. Seria o mundo apenas uma caldeira, sob enorme pressão, prestes a explodir? De uns tempos à esta parte, sou tentado a acreditar nisso. Pressão é a palavra. O termo da moda.
Hoje, num passeio pelos meus três principais e-mails (Gmail, MSN, Yahoo), deparei com várias solicitações dos amigos do exterior (França, EUA, Costa Rica, Senegal, Austrália e China), que gentilmente, como convém à pessoas educadas, fizeram-me ver minha inconveniência em abandoná-los à própria sorte nesses sites de relacionamento. Numa frase: passaram-me um pito.
Por isso, resolvi sair da toca. Amanhã, terça-feira, vou selecionar uns textos e voltar a movimentar esta página/Blog no WordPress. Fazer o quê? Amigos são amigos.

Publicado por: bonfa | 27/03/2011

TIME NAS QUEIXAS

Os Amigos e Amigas têm toda a razão. No quesito esquecimento e na Ala dos Desleixados, tenho lugar cativo. Não tenho aparecido aqui, nem para dar um simples Bom Dia. Mas, que fazer? O mundo não é perfeito. Há coisas demais em nossas vidas. Coisas que tomam-nos o tempo de forma irremediável.
Hoje, resolvi Linkar o Blog do Emílio, um amigo do twitter e também o João – veterinário em Lisboa, Portugal. Vale a pena seguí-los e compartilhar o que eles escrevem.
No mais, desejando-lhes um ótimo final de domingo – o São Paulo ganhou do Corinthians – convido-os a ter paciência. Amanhã, segunda-feira, devo aparecer no Blog, fazendo alguns comentários sobre o momento político do Estado do Amapá, do Brasil e do mundo. Abraço em todos.

Publicado por: bonfa | 17/03/2011

VALE A PENA LER

Archibaldo Antunes, jornalista, manda esse texto sobre a questão do financiamento de um Blog – por R$ 1,3 milhão – pelo ministério da Cultura, para a cantora Maria Bethânia acionar um Blog. Verdadeiro acinte e uma desfaçatez, num país onde os artistas fora das “panelinhas” oficiais estão na rua da amargura e muitas vezes, passando fome com suas famílias.

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BLOG DO ARCHIBALDO

(quinta-feira, 17 de março de 2011)

O BLOG DA DONA MARIA

Depois de uma enxurrada de críticas ao orçamento milionário (R$ 1,8 milhão, para ser exato) do blog da cantora Maria Bethânia, os idealizadores da coisa resolveram cortar gastos, conforme matéria desta quinta no G1.

O projeto ficará em míseros R$ 1,3 milhão e foi batizado com o sugestivo nome de “O mundo precisa de poesia”. Como a dinheirama necessária à execução sairá dos cofres públicos, já que os patrocinadores do blog de dona Maria terão descontos nos impostos segundo permite a Lei Rouanet, a iniciativa poderia ser rebatizada para algo como “A patuleia precisa financiar-me a poesia”. Fica a sugestão.

No Acre, conforme reiteradas reclamações dos artistas e produtores culturais, as leis de incentivo à cultura também têm beneficiado as mesmas figurinhas carimbadas pela burocracia estatal, e cujos sons e rimas são sempre agradáveis aos ouvidos do governo.

Mas voltemos ao blog. O porta-voz da cantora explicou ao G1 que a quantia original de R$ 1,8 milhão cobriria custos da produção completa: “gastos com a equipe, filmagem, direção, coordenação, correio, xerox…”

Imagino que o pessoal avisaria aos internautas o endereço do novo site pessoal via carta registrada, o que de fato encareceria os custos. E que para as xerox, por se tratar de um blog, seria destinada uma cifra considerável. O corte de 440 mil no projeto original obrigará, quem sabe, a suspensão do envio das cartas e o uso do mimeográfo. É mais em conta.

“Você verá que é mesmo assim, que a história não tem fim
Continua sempre que você responde sim…”

Mais uma vez os companheiros provam que para se dar bem sob o governo deles basta ter talento. Às vezes, nem isso.
Postado por Archibaldo Antunes às 11:41

Publicado por: bonfa | 15/03/2011

A BUSCA DA VERDADE

A população do Estado, por várias razões, tem o direito de saber a verdade sobre o episódio que culminou na cassação do mandato do ex-senador João Alberto Capiberibe (PSB/AP) e de sua mulher, a ex-deputada Janete Capiberibe. No caso, inclui-se o papel desempenhado pelo atual senador Gilvam Borges (PMDB/AP). adversário político dos Capiberibe. Hoje, queremos analisar aspectos dessa controversa, mas muito interessante novela política.

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UMA LUTA PELO PODER POLÍTICO

(Parte I)

Não é segredo para ninguém a rivalidade – há décadas – alimentada entre as lideranças políticas das famílias Capiberibe e Borges, no Estado do Amapá. Em várias ocasiões e devido aos acordos políticos que ambos costuraram, alguns com as bênçãos e beneplácito do cardeal-mór do PMDB, senador José Sarney. Valendo dizer que João Capiberibe e Gilvam Borges, em outras eras, partilharam do mesmo café com leite e biscoitos. Sem esquecer que os Capiberibe, incluso a ex-conselheira do Tribunal de Contas do Estado, Raquel Capiberibe, tiveram uma passagem pelo PMDB do Amapá, que lhes abriu as portas e deu-lhes o fôlego que necessitavam, após as contramarchas e incertezas do exílio político dos Capiberibe (João e Janete). Eles voltaram ao Amapá e foram começar a reconstrução de sua trajetória política no PMDB. É ecessário entender isso, primeiramente.
Mas, em política, nem todos os sonhos são possíveis. Nem o trabalho rende os frutos almejados pelos nossos ideais. Hoje, passadas algumas eleições decisivas para o Estado, Capiberibe e Borges tornaram-se figadais adversários eleitorais. Numa espécie de animosidade que tem sido marcada por dezenas de processos na Justiça local e nos Tribunais superiores, em Brasília. Trata-se de uma luta sem quartel pelo controle e domínio político do Estado do Amapá. Luta que extrapolou os limites dos respectivos partidos, PSB e PMDB, ganhando as ruas, dividindo opiniões e traduzindo-se – a cada dois anos – nos resultados das urnas nas eleições.
Se as duas famílias conseguiram avançar em seus esquemas políticos e na influência que possam ter tido e têm no seio da sociedade amapaense, isso é questão a analisar e definir. Por enquanto, as eventuais vitórias embolam-se nos processo na Justiça Eleitoral do Amapá, no Tribunal Superior Eleitoral e no próprio Supremo Tribunal Federal. Os capítulos abrangem desde a suposta validade da nova Lei da Ficha Limpa – se vige ou não para as recentes eleições de 2010 ou se retroage dez anos, para apanhar ilícitos eleitorais – até a possível validade dos votos dados pelo povo ao casal Capiberibe (João e Janete), reconhecidos pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amapá, contudo, não validados pelo TSE, para efeitos da diplomação deles dois. (Continua Parte II)

Publicado por: bonfa | 27/01/2011

A VOLTA DO VELHO SENHOR

NOTAS DE QUINTA-FEIRA, 27

Olá, meus caros Amigos e Amigas.

Na verdade, não existem muitos motivos – sérios – para que eu esteja tão ausente deste Blog. Hoje, parafraseando o título daquele filme “A Volta da Velha Senhora”, ensaio uma espécie de “A Volta do Velho Senhor”. Afinal, não rezam as Escrituras que Deus fez o mundo em 7 dias? Assim, por que eu não teria pelo menos meia hora para atualizar minhas coisas?
Mas, nesse meio tempo, várias fatos importantes aconteceram. O principal deles, a eleição do deputado Camilo Capiberibe para o governo do Estado. Foi a meu ver uma nova sinalização de rumos para o Amapá. O povo, altamente descontente e decepcionado com o melancólico final da administração Waldez Góes – e também com as lamentáveis ocorrências no período do governador Pedro Paulo – deu o seu recado nas urnas.
Agora, a palavra de ordem é Mudança.

Publicado por: bonfa | 02/12/2010

LEITURA DE QUINTA – 02/12/10

Esse artigo, reflete bem o que penso sobre a mais recente idiotice do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, querendo induzir sua eleita a comprar um novo – e mais caro – avião presidencial. Uma brincadeira que poderá custar uma tunga de R$ 500 milhões ao esfarrapado bolso dos contribuintes brasileiros. De fato, o Brasil ainda caminhará muito, até tornar-se um país sério.

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PELO VISTO, ESTÁ TUDO BEM!

Por Claudio Schamis

Ontem bateu aquele desespero sobre o que eu iria falar. Eram 6h35 de uma manhã meio nublada, meio querendo sair o sol, e que apenas começava e eu ainda acordado, saía de uma imersão de cultura, o Corujão da Poesia. Rugas se formaram em meu rosto, peguei o jornal que chegava naquele momento, fresquinho, cheirava quase como um pão francês no afã de ter alguma luz divina. A luz veio, mas de divina nada tinha. Muito pelo contrário.
E será difícil prever quem foi o responsável? Quem? Quem? Raimundo Nonato? Não. Tenta de novo. Vai, coragem, arrisca. Lula!? Bingo! Desculpe, mas bingo é proibido. Mas então tá tudo bem?

Poderia estar. Mas não está não. Será que você pode considerar tudo bem quando o presidente ainda em exercício, vendo (acredito eu) tudo o que aconteceu aqui no Rio de Janeiro, defende a compra de um novo avião para sua pupila-sucessora, e agora presidente Dilma Rousseff? Será mesmo que a prioridade número dois de Lula – a primeira foi eleger Dilma – deveria ser comprar um avião para Dilma? Tudo bem que ele tenha dito que tudo o que o governador pedisse ele daria para ajudar na nossa luta contra a violência. Mas, não é só isso. Colocar as forças armadas na rua pode resolver o problema agora só que o buraco é mais embaixo. Não será com armas que vamos acabar com isso. A visão deve ser mais ampla e deve abraçar nossas crianças que estão despertando para a vida. Que estão começando a se formar como pessoas, como indivíduos.

E o que é o individuo para Lula? Não sei. Ele sabe? Será que dar uma Bolsa aqui, outra ali vai ajudar a resolver alguma coisa? Para que tapar o sol com a peneira? Para que insistir em usar um cobertor curto, que na hora que se puxa, os pés ficam descobertos?

Lula, vou te ensinar uma coisa que não se aprende na escola. Tudo é uma questão de querer e de prioridade. Maquiar o problema não vai adiantar. Fico envergonhado de ouvir você falar que acha vergonhoso o avião presidencial ter que fazer várias escalas por falta de autonomia de voo. Não sinta vergonha disso. Sinta vergonha dos escândalos pelos quais seu governo passou. Sinta vergonha de ter professores ganhando péssimos salários, sinta vergonha de policiais ganhando péssimos salários, sinta vergonha de ter a imagem do Rio de Janeiro e do Brasil ter sido manchada no mundo pela guerra pela qual nós cariocas passamos.

Vergonha é ter esse índice alto de analfabetos. Vergonha é ter poucos querendo se formar professores. Vergonha é saber que pessoas num país como o Brasil morrem na fila dos hospitais por falta de médicos, leitos, remédios, atendimento. Isso é vergonhoso. Vergonhoso é ter um presidente que pensa isso. Que pensa assim. Vergonha será a aprovação da cobrança do “novo-velho” imposto que vocês chamam de contribuição e que falam que irá servir para ajudar na saúde. Se antes não ajudou, agora vai? O que mudou? Não foi sua cabeça. Ou vai mudar a forma de aproveitar o dinheiro?

Na sua cabeça não sei o que se passa. Aliás, acho que sei. É vergonhoso, isso eu te digo.
Vergonhoso é achar que o Palácio do Planalto precisa trocar seus móveis, tapetes e de uma reforma astronômica e cara enquanto pessoas não têm onde morar nem o que comer. Ou pessoas morando onde não há saneamento básico. Vergonhoso é ver aumentos de salário para os parlamentares serem aprovados em questão de segundos e com índices que nenhum economista conseguiria me convencer de que são honestos, enquanto que o aumento para o salário mínimo tem que ser discutido com todos e acaba virando uma novela do tipo “Vale a pena ver de novo?” e é necessário fazer contas para, aí sim, ver se é viável. O nosso aumento. O de vocês não. Qual é a mágica? Para os “reis” tudo, para seus súditos o resto?

Não somos dignos de restos. Não queremos sobras. Merecemos mais respeito. E uma maior preocupação conosco. Com nossa educação, formação, saúde e qualidade de vida.
Você poderia pegar toda essa sua vergonha e sentir-se envergonhado como nunca na sua vida.
Vergonha da vergonha. Mas proponho uma coisa. Será como um exercício. Ou como contar de uma história. Você não quer pelo menos tentar? Não vai doer. Ou talvez doa um pouco. Mas você vai sobreviver. E entender. Começa assim: “Era uma vez um rei que ao acordar num dia qualquer de um ano qualquer, se sentiu incomodado, envergonhado e achava que deveria comprar mais cavalos para sua charrete oficial que seria passada ao seu sucessor e para que ele não tivesse que parar muitas vezes pelo caminho para cruzar fronteiras e visitar outros países com quem mantinha relações comerciais.

A compra desses cavalos iria resolver o problema. Mas então surgiu um murmurinho na rua que foi ouvido lá de cima do alto da colina e que fez com que ele olhasse pela janela e lá do alto então ele viu talvez pela primeira vez, que várias pessoas estavam nas ruas vendendo prateleiras. Aquilo lhe chamou a atenção e pediu que fossem perguntar qual a razão daquilo tudo. E a resposta não tardou a chegar: “V.Exª, disseram que como não há livros para serem colocados nas prateleiras, pelo menos ao vendê-los eles terão o que comer ou como comprar remédios”. Foi nesse momento que então a vergonha sentida naquele dia qualquer por uma razão qualquer se transformasse na vergonha de não ter percebido que o povo que o elegera precisava de livros, saúde e comida, tudo como sendo um complemento do outro e não como uma prova de múltipla escolha onde você deveria optar.

Lula, pega essa grana e investe no povo, investe na sua gente como você diz que o povo é. Tenha orgulho de ser um presidente que não se importa em ter que parar várias estações para chegar onde tiver que ser. Quem tem que ter a chance de chegar em algum lugar o mais rápido possível somos nós. E é somente através da educação que você poderá realizar a maior viagem da sua vida sem escalas.

Publicado por: bonfa | 18/11/2010

LEITURA DE QUINTA

AGENDA ABERTA

(Quarta, 17/11/10)
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AMAZÔNIA
Na Câmara, continua frio o café na Comissão da Amazônia. Passou o período eleitoral, os eleitos respiram aliviados e fagueiros, os derrotados contabilizam os prejuízos e olham o calendário da próxima eleição. Contudo, nenhuma das grandes questões da Região, inclusive novas definições para as atribuições da Suframa, mereceram maior análise ou discussão. Na verdade, os congressistas continuam a tradição de sempre deixar para depois o equacionamento eventual dos problemas da região Norte do país.

GOVERNADORES
Como o mar não ta pra peixe e os cofres estaduais estão vazios, os governadores reeleitos e os eleitos na Amazônia, já estão montando acampamento em Brasília. Camilo Capiberibe (PSB) do Amapá, ontem (17), foi tomar a bênção de S. José Sarney, numa audiência no Senado. Segue o ritual, pois o PMDB formou um blocão de partidos aliados no Congresso e vai influir bastante no governo Dilma.

PROMESSAS
Se for somente para atender ao rosário de promessas de campanha da presidente eleita, Dilma Rousseff, as burras da Viúva precisarão ter à disposição a bagatela de R$ 140 bilhões. Fora as parcelas atrasadas dos tais PAC 1 e o PAC 2, este último saindo do forno, mas causando preocupação na equipe financeira. De onde tirar o dinheiro necessário? E nem adianta ficar por aí boquejando besteirol, esperando Godot e acreditando no “Eldorado” do pré-sal.

NOVA REALIDADE
Em uma década, o Amapá aumentou sua população em 36%, segundo o IBGE. Passamos de 477.032 para 648.553 pessoas. Porém, ainda acho que tem mais gente. Essa é uma realidade que precisa ocupar a cabeceira da mesa no planejamento sócioi-econômico do Estado. Porque não demora nadinha e estaremos batendo na trave do 1 milhão de habitantes.

NOVO PARTIDO
O ex-governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), obteve expressiva votação e caminha para transformar-se, brevemente, num dos grandes novos líderes políticos do país. Contudo, no meio do caminho tem uma pedra. A tucanagem acaba de engolir uma derrota eleitoral (Serra), para a presidência da República. O PSDB dividiu-se em alas, radicais umas, moderadas outras. Discutem, às tontas, o sexo dos anjos. Só resta a Aécio, se souber olhar o futuro, fundar um novo partido. Ou abrigar-se numa legenda menos desgastada. Maktub.

LUIZ PITAQUEIRO
Rei morto, rei posto. Frase que o presidente Lula da Silva vem pronunciando, frequentemente, joga cortina de fumaça conveniente em suas “reais” intenções. Por várias razões, a mais forte das quais de origem partidária – afinal, ele, Dirceu, Palocci, Genoíno e outros menos cotados – prepararam-se para governar o Brasil no mínimo por uns 20 anos. Como Lula conseguiu a proeza de eleger sua candidata, quem acredita que ele não irá tornar-se o pitaqueiro-mór da República? Sim, ele sairá em dezembro, mas ficará por aí, cadáver insepulto, dando pitaco em tudo e assombrando as criancinhas. Anotem.

Publicado por: bonfa | 13/11/2010

ARTIGO DE SÁBADO

A CABECEIRA DA MESA

Conta-se que, certa feita, o patriarca da prestigiosa família Mellon dos Estados Unidos, havia sido convidado e aceitara visitar uma das universidades norte-americanas. Os Mellon, há décadas, têm interesses nas áreas da siderurgia, alimentos e, principalmente, produção de petróleo.
No dia marcado, recebido pela diretoria e alunos, percorreu as dependências da universidade e demorou-se particularmente na biblioteca. Mas, havia outra reunião numa sala especial. A entidade precisava fechar um ciclo de doações financeiras, a fim de promover modificações e ampliações no seu campus. Nos EUA, é bastante comum que famílias tradicionais, políticos influentes e financistas façam generosas doações à universidades e faculdades no país inteiro.
Cumpridas as formalidades de rotina, o ilustre visitante, talvez cansado das andanças pelos longos corredores, sentou-se à mesa na primeira cadeira vaga que encontrou. Instantes após, um dos professores organizadores do encontro cochichou algo nos ouvidos de um aluno. O rapaz, imbuído das melhor das intenções, não hesitou e, dirigindo-se ao milionário Mellon, convidou-o a sair de onde estava e ocupar a cabeceira da mesa. Ele abriu um largo sorriso para o rapaz e exclamou: – Não se preocupe, meu jovem. Em qualquer lugar que eu estiver será a cabeceira da mesa.
Naquele momento, é lógico que ele sabia de sua importância e das finalidades daquele encontro. Também tinha plena consciência que estava ali para fazer uma doação em dinheiro para a universidade. Ouviu pacientemente os discursos do reitor e dos professores, os aplausos quando entregou o cheque, posou para a foto de praxe, despediu-se e foi embora cuidar dos seus negócios. A universidade acabara de ganhar um novo microscópio eletrônico e anexos ao laboratório e à biblioteca.
Em Seul, Coréia, na quinta-feira passada, os presidentes, chefes de Estado e primeiros-ministros dos países mais ricos do mundo, posaram para a foto oficial do encontro. Acenos e sorrisos largos para a mídia e elegantes gravatas no lugar certo. Foi quando notou-se que, pela primeira vez em muitos anos, o convidado mais importante, o presidente dos EUA, não estava no centro da foto e ao lado do anfitrião coreano, mas à direita do grupo. Barack Obama é um negro de classe, diplomata elegante e discreto. Cumprimentou seus colegas presidentes, acenou de novo para a imprensa e saiu da sala a passos firmes.
Para não ir longe, no centro da foto oficial da cúpula do G-20, ficou o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. Sendo que ele e sua comitiva de ministros, saíram de Seul do mesmo jeito que chegaram, ou seja, sem conseguir emplacar um acordo cambial-financeiro, objetivando proteger a moeda brasileira.
O G-20 não avançou, nem recuou em suas recomendações aos países membros e aos chamados “Emergentes”, entre os quais o Brasil. Deixou para decidir alguma coisa mais consistente em 2011 ou 2012. Os EUA, há pouco mais de um mês, injetou US$ 600 bilhões em sua economia, a fim de fortalecer o dólar, dinamizar as exportações, recapitalizando bancos, financeiras e indústrias em geral naquele país. Os mercados e Bolsas de Valores do Planeta já começam a acusar os efeitos dessa medida.
No sábado, os jornais estampavam uma declaração de Obama, afirmando que nenhum país pode crescer à custa dos outros. O G-20 esvaziou-se, Lula da Silva – numa rápida comparação – fez o papel do aluno americano na foto. Porque vai demorar um pouco, antes que os países Emergentes entendam que, apesar de ter ficado no extremo da foto oficial, o presidente dos EUA, por motivos óbvios, estava na cabeceira da mesa.

Publicado por: bonfa | 26/10/2010

PERIGOSOS PRECEDENTES

Esse material está colocado para publicação em minha coluna no Jornal dos Municípios, em Macapá. Trata de uma questão importante na atualidade nacional: a tentativa de controle externo da mídia. Ação que vem colecionando perigosos precedentes, como foi o caso da aprovação pela Assembléia Legislativa do Estado do Ceará da criação de um Conselho de Comunicação.

PAUTA LIVRE

(27/10/10)

PERIGOSOS PRECEDENTES

Mergulhada nos meandros da campanha política presidencial – e também em alguns Estados onde haverá o segundo turno – a mídia nacional, por várias motivos, não tem percebido os perigos que a cercam. Agora mesmo, num conjunto de ações coordenadas pelos poderes executivo e judiciário, o legislativo do Estado do Ceará aprovou a criação de um Conselho de Comunicação.
Ora, conselhos são criados no Brasil com a mesma naturalidade com que se compram duas dúzias de bananas. Tanto que, numa rotina velha de décadas, quando o poder público não quer resolver nada, muito menos incomodar-se com determinadas situações e denúncias, cria logo uma comissão ou um conselho, para realizar “rigoroso inquérito.”
Mas, nessa questão dos Conselhos de Comunicação, está embutida a solerte tentativa de controle da mídia pelo poder constituído, ou mesmo pelo que se denominou de entidades da sociedade civil organizada. É a transferência, pura e simples, da liberdade de informar e de imprensa, para organismos externos, alheios às lides do setor e completamente desinformados sobre as implicações de uma publicação jornalística independente, pluralista e democrática.
Controlar a imprensa, sempre foi o sonho dos tiranos, dos ditadores e dos prepotentes em qualquer época da humanidade. Napoleão – no auge de seu poderio na Europa – dizia que, se pudesse controlar a imprensa, ganharia qualquer batalha em três dias. No Brasil, desde os idos de 1964 e 1968 (com o advento do Ato Institucional nº 5 – AI-5), tenta-se enquadrar a mídia e seus profissionais, a fim de colocá-los na condição de somente publicar e divulgar aquilo que interesse ao poder e a seus eventuais detentores. As mazelas administrativas, a formação de quadrilhas, a venda de informações privilegiadas no balcão da hipocrisia dos estatocratas, os avanços ao erário e a corrupção generalizada, em detrimento da honestidade e da ética, isso não se pode denunciar e nem divulgar.
O maior absurdo dessa situação, não é o próprio controle da mídia, que se intenta fazer, nem o amordaçamento da opinião pública. É a cultura da impunidade que desejam estabelecer na base da sociedade brasileira. É o culto aos esquemas de esperteza, enriquecimento ilícito e uso de funções públicas para a consecução de fins pessoais egoístas e criminosos. Essa é a questão.
Faz bem a Ordem dos Advogados do Brasil nacional, numa reação bastante oportuna, colocar-se contra a criação dos Conselhos de Comunicação, inclusive rotulando-os de claramente inconstitucionais. Afinal, a liberdade de informação e também a de consciência, residem com as liberdades democráticas e com a defesa dos mais importantes postulados da cidadania. Essa é condição inalienável na Constituição da República e algo que não pode ficar à disposição dos humores de quem detém o poder, de famílias ou grupos políticos, seja sob que pretexto for.

Publicado por: bonfa | 21/10/2010

PARA MEDITAR HOJE

Lula, Dilma e seus sofismas

21 de outubro de 2010

Roberto Macedo (*)
O Estado de S.Paulo

Como sofisma não é palavra de uso corrente, recorro ao Dicionário Houaiss para defini-la: “Argumento ou raciocínio concebido com o objetivo de produzir a ilusão da verdade, que, embora simule um acordo com as regras da lógica, apresenta, na realidade, uma estrutura interna inconsistente, incorreta e deliberadamente enganosa.” Sofismas também podem vir de “apoteoses mentais” e de egolatrias que contagiam quem assim argumenta.
No início do curso de Economia aprendi sobre um sofisma ou falácia no clássico livro-texto de Paul Samuelson (1915-2009, Prêmio Nobel de Economia de 1972) Introdução à Análise Econômica. Nele esse sofisma vem inicialmente em latim: “Post hoc ergo propter hoc” (se depois disso, logo, por causa disso). A lição é não se deixar enganar por ele nem argumentar na mesma linha.
Lula e seu séquito, em que neste momento se destaca a companheira Dilma, costumam argumentar dessa forma sobre questões econômicas. Sinteticamente, o argumento é: antes de Lula a economia era assim; depois que ele chegou ao governo, ela melhorou; logo, foi ele quem fez isso e deve receber todo o crédito correspondente. Débitos são convenientemente escondidos por baixo de tapetes.
Exemplos dessa prática são encontrados nos seus discursos e nos programas eleitorais da sua candidata à Presidência. Um muito comum é quando se afirma: “Nós criamos quase 14 milhões de empregos formais.” Explicitada, a falácia é assim construída: depois que Lula assumiu, vieram esses 14 milhões de empregos; logo, foi Lula que os criou, e sua criatura Dilma também assume o crédito.
O que o Executivo Federal criou por si mesmo foram uns 100 mil empregos de funcionários públicos civis, muitos claramente desnecessários, mas indispensáveis para acomodar partidários carentes de uma boquinha, no que às vezes se excedem e passam às mordidas. Entre os demais contratados, há também os de necessidade discutível, tudo a pretexto de “fortalecer o Estado”.
Mas quem mesmo empregou os milhões fora do governo foi a economia na sua dinâmica, e aí a grande benesse do período Lula, mas não resultante de sua pessoa, veio de fora para dentro do País, na forma de um forte crescimento da economia mundial. Não posso afirmar que nunca antes no mundo esse crescimento foi o mais forte de um período com a mesma duração, mas seguramente foi um dos mais robustos.
Entre as consequências no Brasil, merece destaque uma nem sempre devidamente enfatizada.
O fato é que dessa benesse também veio, com a melhoria das contas externas e acumulação de reservas cambiais, o fim do fantasmagórico problema no passado conhecido como escassez de divisas, que recorrentemente trazia grandes sofrimentos à economia brasileira. Não fossem essas reservas, o efeito da última crise externa, a de 2008, teria sido devastador, provavelmente se teria prolongado até hoje, e Lula não estaria debitando a conta à sua gestão, pois o sofismar se restringe à acumulação de créditos.
Como nos milhões de empregos, o “post hoc ergo propter hoc” é também usado para dizer que “retiramos 28 milhões da miséria” e que 36 milhões foram elevados à classe média. Números esses, aliás, que também precisariam ser discutidos quanto aos conceitos de miséria e de classe média utilizados, e sua métrica.
No fundo, o raciocínio lulo-dilmista ignora que a História é um processo moldado pela força de circunstâncias e por decisões humanas que as influenciam. Quanto a essas decisões, entretanto, é muita pretensão assumir pessoalmente o mérito por todos esses milhões. Nem o mitológico Hércules daria conta do recado.
Centenas de milhões de chineses e outros atores da economia mundial, que passaram a demandar mais nossos produtos, tiveram maior influência sobre a melhora da economia brasileira, e foi também uma tributação ainda mais onerosa em cima dela que permitiu a expansão dos gastos sociais de que a dupla tanto se vangloria.
Mas, se for para olhar também as ações presidenciais, outro elemento que muito pesou foi a maturação de medidas de governantes que precederam Lula. Para não ir muito longe no passado, Collor, Itamar e FHC. Entre outras coisas, trouxeram a maior abertura da economia, o programa de privatização, outros ajustes nas contas públicas e o surgimento do real como moeda digna do nome. Olhando apenas quem passou a faixa presidencial, pode-se dizer que Lula também herdou de FHC a prancha adequada para surfar na boa onda da economia mundial.
É sabido que o presidente Lula tem formas de ver as coisas e de argumentar que muitas vezes causam perplexidade a quem procura analisá-las na sua lógica e sustentação factual. Seu recurso mais comum é ao método Nanp (nunca antes neste país), em que faz afirmações precedidas dessas quatro palavras. É uma variante do referido sofisma, simplificada e ampliada, pois está a dizer que tudo a que se refere veio depois dele. Quem o ouve ou aceita o dito num ato de fé ou tem de olhar toda a História do País para verificar se o que foi afirmado vale ou não.
É pena que o debate eleitoral tenha seguido por uma temática em que questões como essas e outras importantes não são discutidas, com o que muitos eleitores são bombardeados com autoavaliações enganosas. Os debates pela televisão, que nesse meio de comunicação poderiam ter maior alcance, além de serem poucos, têm também uma sistemática a limitar o papel de jornalistas ao de cronometristas, com quase ou nenhum espaço para suas perguntas. E tampouco para questões de audiências selecionadas aleatoriamente em vários segmentos da sociedade, além de ocorrerem em horários inconvenientes para a maioria dos telespectadores.
Como sempre neste país, os eleitores votarão em condições de informações e de percepções muito limitadas.

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(*) Economista (UFMG, USP E HARVARD), Pofessor Associado à FAAP, Vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo.

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